Caderno de prova apresentava alternativas até a D, mas cartão-resposta tinha letra E.
Notícias de Araguaína - Uma nova controvérsia envolvendo o concurso público da Prefeitura de Araguaína veio à tona após candidatos questionarem uma incompatibilidade entre o caderno de questões e o cartão-resposta utilizado na aplicação das provas.
No caderno do cargo de Assistente Técnico Administrativo analisado pelo AF Notícias, as questões apresentam quatro alternativas de resposta, identificadas pelas letras A, B, C e D. No entanto, o cartão-resposta entregue pela banca organizadora apresentava cinco campos para marcação, incluindo também a alternativa E.
A diferença, aparentemente simples, passou a ser questionada por participantes que alegam ter sido induzidos ao erro no momento de transferir as respostas do caderno para o cartão.
Um dos candidatos relatou à reportagem que marcou a alternativa E em sete questões, acreditando estar preenchendo o último campo correspondente à letra D, já que o caderno não possuía uma quinta alternativa. Segundo ele, após conferir o gabarito, constatou que em três dessas questões a resposta correta era justamente a letra D.
O caso chama atenção porque o próprio caderno determina que o candidato assinale no cartão-resposta a “letra correspondente à resposta solicitada de cada questão”. O documento também estabelece que apenas uma alternativa deve ser preenchida e informa que não haverá substituição do cartão-resposta por erro do candidato.
A discussão levantada pelos participantes, porém, é se eventual erro pode ser atribuído exclusivamente ao candidato quando o próprio cartão fornecido pela organização apresenta uma alternativa inexistente no caderno de questões.
Candidatos apresentam recursos
Segundo relatos, outros candidatos também foram induzidos ao erro e já apresentaram recursos administrativos questionando a incompatibilidade.
Os candidatos sustentam que, em uma prova na qual todas as respostas possíveis estão distribuídas entre quatro letras, a inclusão de uma quinta opção no cartão poderia gerar confusão principalmente durante a etapa final de transposição das respostas, quando o participante precisa preencher dezenas de campos em sequência.
Os recursos deverão ser analisados pelo Instituto de Desenvolvimento Institucional Brasileiro (IDIB), responsável pela organização do concurso.
Concurso já foi alvo de decisão judicial
A nova reclamação surge poucos dias depois de a Justiça já ter determinado mudanças no procedimento de recursos do concurso.
Em decisão publicada no dia 26 de agosto, a pedido do Ministério Público do Tocantins (MPTO), a Justiça suspendeu o prazo original para apresentação de recursos contra os gabaritos preliminares e determinou que a Prefeitura e o IDIB disponibilizassem aos candidatos as imagens digitalizadas dos cartões-resposta, além dos cadernos de provas.
A determinação também estabeleceu a abertura de novo prazo de pelo menos dois dias corridos após o acesso aos documentos e impediu a divulgação dos resultados definitivos e o avanço das etapas seguintes antes da análise dos recursos.
A intervenção judicial ocorreu justamente diante da necessidade de garantir aos candidatos condições efetivas de conferir suas marcações e formular os recursos.
Agora, com os cartões acessíveis, a comparação com os cadernos trouxe à tona uma nova discussão: por que havia uma alternativa E no documento destinado às respostas se as questões apresentadas aos candidatos terminavam na letra D?
O AF Notícias deixa espaço aberto para manifestação do IDIB e da Prefeitura de Araguaína sobre a finalidade da quinta alternativa no cartão-resposta e sobre a forma como serão analisados os recursos apresentados pelos candidatos.
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