EDUCAÇÃO E INCLUSÃO

Diretora escolar chama autismo de 'transtorno da moda' e gera onda de críticas na web

Declaração motivou notas de repúdio e apuração do caso.

Por Auro Giuliano | AF Notícias 1.764
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04/03/2026 12h37 - Atualizado há 5 dias
Vídeo foi publicado em perfil pessoal de Carla Martins de Barros

Notícias do Tocantins - Uma declaração da diretora da Escola Municipal Odair Lúcio, em Gurupi, provocou ampla repercussão nas redes sociais e reações de pais, mães e entidades ligadas à causa autista. Em vídeo publicado em perfil pessoal, Carla Martins de Barros classificou o Transtorno do Espectro Autista (TEA) como “transtorno da moda” e utilizou a expressão “alecrim dourado” ao se referir a crianças com transtornos do neurodesenvolvimento.

Na gravação, feita fora do ambiente escolar, a diretora afirma que “limite todo ser humano precisa ter” e declara que “não sai de casa para apanhar”, ao comentar, segundo ela, situações envolvendo comportamentos agressivos de crianças com transtorno.

“Você que cuide do seu alecrim dourado, que dê limite a ele, assim como todos nós cuidamos das crianças típicas (…) títícas, atípicas, não interessa, o ser humano nasceu para ser treinado e ele (criança autista) tem condições perfeitas. Então, se liga”, diz em trecho do vídeo.

O conteúdo passou a circular em grupos de mensagens e perfis locais, sendo interpretado por parte da comunidade como ofensivo e estigmatizante.

Assista o vídeo:

 

Entidades divulgam notas de repúdio

Após a repercussão, o Instituto Via Autismo e o grupo Café & Terapia divulgaram notas públicas de repúdio.

O Instituto Via Autismo afirmou que as declarações são incompatíveis com os princípios da educação inclusiva e destacou que crianças com TEA são pessoas com deficiência, protegidas por lei, com direito à educação inclusiva e à integridade física e psicológica. A entidade solicitou ao secretário municipal de Educação, Samuel Rodrigues Martins, a imediata apuração dos fatos, esclarecimentos sobre o episódio mencionado e a adoção de providências administrativas.

Já o Café & Terapia classificou as falas como incompatíveis com a função pública exercida e pediu a abertura de processo administrativo, eventual aplicação de medidas disciplinares, capacitação da equipe escolar sobre inclusão e manejo de crises, além de retratação formal às famílias.

O que diz a Prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Gurupi, por meio da Secretaria Municipal de Educação, reafirmou o compromisso com a inclusão e com a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI).

A pasta informou que a rede municipal conta com 24 salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE), professores especialistas e profissionais de apoio que acompanham cerca de 400 estudantes com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Também destacou a existência de equipe multidisciplinar e a implantação de projetos voltados ao fortalecimento da inclusão na Educação Infantil e no Ensino Fundamental.

A Secretaria afirmou ainda que preza pelo diálogo com as famílias e que seguirá trabalhando “com responsabilidade, sensibilidade e compromisso”.

A prefeita Josi Nunes (UB) também se manifestou nas redes sociais por meio de vídeo. Após destacar as ações de atendimento e acolhimento às pessoas com TEA no município, anunciou a abertura de procedimento para investigar responsabilidades.

“Somos defensores e parceiros da causa autista. Reafirmo que, em nossa gestão, não compactuamos com nenhum fato que viole direitos da pessoa. Desde que tomei conhecimento do ocorrido, determinei a apuração imediata dos fatos. Vamos conversar com todos os envolvidos, analisar com responsabilidade e tomar todas as medidas cabíveis e legais que o caso exige”, afirmou.

Em nova manifestação, a Secretaria informou que solicitou à Procuradoria-Geral do Município a instauração de procedimento de sindicância para apurar os fatos de forma criteriosa e responsável.

A pasta acrescentou que a diretora envolvida pediu afastamento voluntário das funções, a fim de garantir que a apuração ocorra com isenção e tranquilidade. Segundo a nota, a gestora também se colocou à disposição das autoridades competentes para prestar esclarecimentos.

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O que diz a diretora

Em nota própria, Carla Martins de Barros afirmou que as declarações se trataram de “um desabafo individual”, feito em contexto pessoal, e não de relato ocorrido nas dependências da escola.

Segundo a diretora, o episódio mencionado no vídeo teria acontecido em um estabelecimento comercial da cidade, fora do ambiente escolar. Ela também afirmou que o termo “devolvi” se referia à reação diante de uma agressão sofrida nesse contexto externo.

A gestora ressaltou que há aumento na demanda por atendimentos especializados e defendeu maior parceria entre famílias, escola e profissionais da saúde. “A escola não pode e não deve caminhar sozinha”, declarou na nota.

Imagem: Reprodução

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