Três anos sem 13º salário e piso nacional sem reajuste desde 2023.
Notícias do Tocantins - A crise na Educação municipal de Praia Norte ganhou as ruas. Professores da rede municipal cruzaram os braços na última terça-feira (10/02) e realizaram um ato público em frente à Prefeitura para cobrar salários atrasados, pagamento do 13º e o cumprimento do Piso Nacional do Magistério.
A mobilização é direcionada à prefeita Bruna do Ho Che Min (PSD), acusada pela categoria de não regularizar pendências financeiras e de descumprir a aplicação do reajuste do piso desde 2023. Os educadores também contestam transferências consideradas arbitrárias para a zona rural, que, segundo eles, têm prejudicado a organização do trabalho e a vida funcional dos profissionais.
De acordo com o presidente do Sintet Regional de Augustinópolis, Jules Rimet, a paralisação foi adotada diante da falta de respostas concretas por parte da gestão municipal.
“A paralisação é um instrumento legítimo de luta e diálogo, diante da ausência de providências concretas às reivindicações apresentadas pela categoria”, afirmou.
Durante o ato, o dirigente sindical fez duras críticas à prefeita e à condução da administração. Segundo ele, após mais de um ano de mandato, a gestão ainda não apresentou soluções para os problemas enfrentados pelos trabalhadores da Educação.
Rimet denunciou atrasos salariais, falta de pagamento do 13º salário referente aos anos de 2023, 2024 e 2025 e a não aplicação do reajuste do piso nacional desde 2023. Ele também questionou a ausência da prefeita no município e cobrou abertura de diálogo direto com a categoria.
O sindicalista ainda denunciou supostas perseguições políticas envolvendo datas diferenciadas de pagamento de salários, prática que classificou como “inadmissível e ilegal”.
Além das questões salariais, o presidente do Sintet apontou problemas estruturais na rede municipal, como precarização das escolas, merenda escolar de baixa qualidade e dificuldades no transporte escolar. Segundo ele, esses fatores têm contribuído para a evasão de alunos para municípios vizinhos.
“Não é culpa do professor. É falta de investimento e valorização. O piso é o mínimo que um trabalhador da educação deve receber. Hoje ele ultrapassa os R$ 5 mil, enquanto há profissionais no município recebendo cerca de R$ 3.200 e ainda com atraso”, destacou.
Rimet afirmou ainda que o sindicato acompanha a aplicação dos recursos do FUNDEB e defendeu maior transparência na utilização dos valores destinados à Educação. Ele mencionou um acordo firmado junto ao Ministério Público no ano passado que, segundo ele, não foi cumprido pela gestão dentro do prazo estabelecido.
Ao final, o dirigente cobrou posicionamento da Câmara Municipal e afirmou que a categoria permanecerá mobilizada até que haja negociação e cumprimento da legislação.
“A prefeita precisa sentar com o sindicato e resolver imediatamente os problemas da educação. O piso é lei nacional e precisa ser respeitado”, concluiu.
A categoria aguarda a abertura de diálogo por parte da gestão municipal para tratar das reivindicações apresentadas.