No Tocantins ainda existem 149 aparelhos registrados
Notícias do Tocantins - O ano de 2026 marca oficialmente o início do fim de uma das maiores marcas da comunicação urbana brasileira. A partir de janeiro, os tradicionais orelhões - telefones públicos que, por décadas, foram essenciais para milhões de brasileiros - começaram a ser retirados das ruas em todo o país. O processo teve início após o encerramento, em dezembro de 2025, das concessões de telefonia fixa que obrigavam as operadoras a manter o serviço.
Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ainda existem cerca de 38 mil telefones públicos espalhados pelo Brasil, número muito inferior ao registrado em 2020, quando o país contava com mais de 200 mil aparelhos. No auge, a rede chegou a reunir mais de 1,5 milhão de terminais, implantados a partir de 1972, com design assinado pela arquiteta Chu Ming Silveira.
A retirada definitiva ocorre porque empresas como Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica deixaram de ter obrigação legal de manter os equipamentos após o fim dos contratos de concessão. Com isso, carcaças e aparelhos já desativados passaram a ser removidos em larga escala. Os orelhões só permanecerão, de forma temporária, em localidades sem cobertura de telefonia móvel, especialmente onde não há sinal mínimo de 4G. Nesses casos, cerca de 9 mil terminais devem continuar ativos até, no máximo, dezembro de 2028.
A mudança de regime também foi influenciada pela crise financeira da Oi, que enfrenta dificuldades desde 2016 e chegou a ter processo de falência aberto, além do progressivo desuso do serviço diante da popularização dos telefones celulares. Na prática, os orelhões transformaram-se em elementos quase simbólicos da paisagem urbana, marcando uma era em que a comunicação pública era sinônimo de filas, fichas, cartões telefônicos e longas conversas ao pé da rua.
No Tocantins, dados do painel da Anatel indicam a existência de 149 telefones públicos distribuídos em cerca de 90 municípios. Desse total, 92 estariam em funcionamento e 57 inativos, embora a própria agência reconheça que os números podem não refletir a situação atual.
A Oi concentra a maior parte dos aparelhos no estado, com 117 unidades, enquanto a Claro mantém outras 32. Araguatins lidera o ranking estadual, com dez telefones públicos, seguida por Goiatins e Pium, com seis cada.
Em Palmas, ainda é possível encontrar alguns poucos orelhões espalhados pela cidade. A maioria está danificada e nenhum apresenta funcionamento ativo.
Como contrapartida pela extinção do serviço, a Anatel determinou que os recursos antes destinados à manutenção dos telefones públicos sejam redirecionados para investimentos em infraestrutura de telecomunicações. Entre os compromissos assumidos pelas operadoras estão a expansão da banda larga, a instalação de redes de fibra óptica, a implantação de antenas de telefonia móvel - no mínimo com tecnologia 4G -, além da ampliação da conectividade em escolas públicas e em regiões remotas.