Procedimento inédito corrige cardiopatia congênita por vídeo, sem abertura do tórax.
Notícias de Araguaína – O Hospital Municipal de Araguaína (HMA) alcançou, na última semana, um marco histórico ao realizar a primeira cirurgia cardíaca minimamente invasiva e videoassistida para correção de Comunicação Interatrial (CIA) em um adolescente no Tocantins.
O procedimento inédito foi realizado em um paciente de 16 anos, diagnosticado com cardiopatia congênita após sofrer dois Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) isquêmicos.
Diferentemente da cirurgia cardíaca convencional, que exige a abertura do tórax, a intervenção foi feita por meio da Cirurgia Cardíaca Minimamente Invasiva (MICS), com auxílio de vídeo. A técnica reduz significativamente o impacto cirúrgico e permitiu o fechamento do defeito no septo que separa os átrios do coração — condição que favorecia a passagem de coágulos para o cérebro — sem a necessidade de cirurgia de peito aberto.
Abordagem inédita e melhores resultados
Um dos diferenciais do procedimento foi a via de acesso periareolar, com incisão discreta ao redor do mamilo, estratégia que potencializa os benefícios da MICS. Entre as principais vantagens estão a redução do trauma cirúrgico, menor dor no pós-operatório, diminuição do risco de infecções, tempo de internação mais curto e excelente resultado estético, aspecto especialmente relevante para pacientes adolescentes.
A cirurgia foi indicada diante do perfil clínico complexo do paciente, que, além da pouca idade, apresenta Transtorno do Espectro Autista (TEA) e histórico neurológico sensível. A correção definitiva da CIA interrompe o mecanismo de embolia paradoxal, prevenindo novos episódios de AVC — risco que aumenta a cada ocorrência e pode resultar em sequelas irreversíveis.
A secretária municipal da Saúde, Dênia Rodrigues, destacou que o procedimento consolida o HMA como referência regional em cirurgia cardíaca pediátrica e reflete os investimentos contínuos em tecnologia e qualificação profissional.
“Essa cirurgia inédita reforça a capacidade técnica do Hospital Municipal de Araguaína e o compromisso da gestão em oferecer tratamentos de alta complexidade com tecnologia avançada. Investir em procedimentos menos invasivos significa mais segurança, recuperação mais rápida e mais qualidade de vida para nossos pacientes, especialmente crianças e adolescentes”, afirmou.
Diagnóstico que salva vidas
A investigação cardiológica identificou a CIA por meio de ecocardiograma transesofágico com teste de microbolhas, exame fundamental para confirmar o fluxo sanguíneo anômalo. Casos como esse reforçam a importância do diagnóstico precoce das cardiopatias congênitas, que muitas vezes permanecem assintomáticas durante a infância e a adolescência, sendo descobertas apenas após complicações graves.
“O diagnóstico precoce de cardiopatias congênitas em crianças e adolescentes é essencial para prevenir desfechos neurológicos graves”, destacou a médica Dra. Elena Medrado.
Avanço para a saúde pública
O sucesso da cirurgia consolida o HMA como referência em alta complexidade pediátrica, ampliando o acesso, pelo SUS, a técnicas modernas e menos invasivas. O procedimento abre caminho para que outros adolescentes do Tocantins e da região Norte sejam beneficiados por abordagens semelhantes, com melhores desfechos clínicos e recuperação mais rápida.
O resultado reafirma o compromisso da unidade com a inovação, a segurança do paciente e o cuidado integral, colocando Araguaína na vanguarda da cirurgia cardíaca pediátrica minimamente invasiva no estado.
HMA: referência em saúde pediátrica
O Hospital Municipal de Araguaína Dr. Eduardo Medrado, mantido pela Prefeitura de Araguaína e pelo Governo do Tocantins, com apoio federal e gestão do Instituto Saúde e Cidadania (ISAC), conta com 61 leitos e é o único hospital do estado habilitado pelo Ministério da Saúde para cirurgias cardiopediátricas.
Selecionado entre os 100 melhores hospitais públicos do Brasil, em levantamento do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross), o HMA está consolidado como centro de excelência do Sistema Único de Saúde (SUS), aliando infraestrutura moderna, equipes especializadas e resultados de impacto regional.