ENTRE RIO SONO E COMBINADO

Moradores cobram retorno de balsa retirada do rio há 25 anos para reforma no Tocantins

Famílias vivem isoladas e enfrentam travessias perigosas no rio Perdido.

Por Auro Giuliano | AF Notícias 1.384
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02/02/2026 14h50 - Atualizado há 1 semana
Moradores de Centenário e Recursolândia voltaram a reivindicar o retorno da balsa

Notícias do Tocantins - Moradores dos municípios de Rio Sono, Centenário e Recursolândia voltaram a reivindicar, neste início de 2026, o retorno da balsa que operava no Rio Perdido e fazia a ligação direta entre as duas cidades e Rio Sono, na região central do Estado. A estrutura foi instalada em 1996, retirada para reforma no ano 2000 e, desde então, nunca mais retornou, provocando o isolamento de comunidades inteiras.

Sem a travessia, moradores das duas cidades que precisam se deslocar até Palmas são obrigados a fazer um longo percurso por Santa Maria do Tocantins, Bom Jesus, Pedro Afonso e Guaraí, seguindo depois pela BR-153 até Miranorte, e então passando por Miracema e Lajeado. O trajeto representa mais de 300 quilômetros adicionais em comparação ao caminho direto pela travessia do Rio Perdido.

Segundo os moradores, o retorno da balsa reduziria drasticamente a distância, diminuiria custos com transporte, tempo de viagem e também o fluxo de veículos na BR-153, conhecida como Belém-Brasília.

No sentido inverso, moradores de Rio Sono também são prejudicados, já que para acessar Centenário e Recursolândia precisam enfrentar os mesmos longos deslocamentos.

Sem a balsa, a população é obrigada a contornar a região por Pedro Afonso, Bom Jesus e Santa Maria, percurso que poderia ser feito em poucos minutos com a travessia direta.

De acordo com relatos da comunidade, cerca de 150 famílias vivem em áreas próximas ao Rio Perdido e dependem de travessias improvisadas. Muitas utilizam canoas para atravessar o rio, transportando motos, bicicletas, alimentos, farinha e outros produtos agrícolas.

“Tem família dos dois lados do rio. A gente passa de canoa, com risco, levando produção, moto, bicicleta, porque não tem mais a balsa”, relatou o morador Bira Matos, pioneiro da região.

Mutirão e cobrança às prefeituras

No domingo (1º), moradores realizaram um mutirão nas margens do Rio Perdido para limpar o acesso e chamar a atenção das autoridades. O objetivo foi demonstrar que a população está disposta a colaborar para viabilizar a retomada da travessia.

Durante o ato, moradores afirmaram que os prefeitos de Rio Sono e Centenário já têm conhecimento da situação. Segundo eles, no ano passado houve tentativa de articulação para o retorno da balsa, mas faltou empenho conjunto das gestões municipais para assumir a operação.

“O que a gente quer é que as duas prefeituras se juntem e garantam o direito de ir e vir das pessoas”, afirmou um dos participantes do movimento.

Apelo ao governo do Estado

Além das administrações municipais, os moradores também direcionaram apelos ao governador do Tocantins, pedindo que o Estado intervenha para viabilizar o retorno da balsa ou, futuramente, a construção de uma ponte no local.

“Governador, o senhor conhece bem a região. Olha por esse povo. Essa balsa vai mudar a vida de muita gente”, disse um morador durante o registro do mutirão.

Nota do Governo do Estado

"A Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura (Ageto) informa que a travessia por balsa no Rio Perdido não faz parte da malha rodoviária estadual.

A Pasta informa que até o momento, não houve notificação ou solicitação formal dos municípios envolvidos à Ageto. É importante ressaltar que a população da região dispõe como alternativa de deslocamento a rodovia federal BR-235.

A Ageto reforça que, caso haja solicitação oficial, poderão ser avaliadas as condições para adoção das medidas cabíveis.

Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura (AGETO)"

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