Atendimentos nas unidades do Centro de Referência de Assistência Social.
Notícias de Araguaína - Sem certidão de nascimento, milhares de brasileiros seguem invisíveis para o Estado — sem acesso pleno a direitos básicos como saúde, educação e benefícios sociais. Em Araguaína, uma mobilização nesta semana tenta mudar essa realidade levando a emissão de documentos diretamente às comunidades mais vulneráveis.
A ação, que ocorre até esta sexta-feira (17/04), concentra atendimentos nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), aproximando o serviço de moradores de bairros periféricos e reduzindo barreiras históricas de acesso à documentação civil.
Para quem vive essa ausência na prática, o impacto vai além da burocracia. Aos 39 anos, o porteiro Geovane Martins carrega desde a infância a falta do nome do pai em sua certidão de nascimento — uma lacuna que, segundo ele, sempre teve peso emocional.
“Meus pais são casados, mas no dia de me registrar, minha mãe não levou os documentos do meu pai e eu nunca tive o nome dele na certidão. Parece algo simples, mas para mim tem um grande significado. Agora vou poder levar o nome do meu pai para as próximas gerações da nossa família”, relata.
A estrutura descentralizada do mutirão permite que cada unidade do CRAS funcione, ao longo da semana, como ponto de atendimento, facilitando o acesso da população que, muitas vezes, enfrenta dificuldades para se deslocar até cartórios ou órgãos centrais.
A iniciativa antecede uma ação ainda mais ampla prevista para esta sexta-feira (17), que deve reunir diversos serviços gratuitos voltados à população em situação de vulnerabilidade. A programação inclui emissão de documentos, atendimentos jurídicos, serviços de saúde e atividades de cidadania.
O evento será realizado na Escola de Tempo Integral Jardeni Jorge Frederico, no Setor Maracanã, das 7h às 17h, e terá ainda a realização de casamento comunitário no período da noite.
Especialistas destacam que a ausência de registro civil mantém pessoas à margem de políticas públicas e do mercado formal. Sem documentação, o cidadão encontra obstáculos para estudar, trabalhar, acessar programas sociais e até comprovar sua própria existência legal.
Ao levar os serviços até onde a população está, a ação busca romper esse ciclo de exclusão — transformando um documento básico em porta de entrada para direitos fundamentais.