Crítica artística

Palmas, capital da especulação: artista escancara alto custo da moradia e falta de árvores

Cerca de 45% dos moradores da capital vivem pagando aluguel.

Por Redação 551
Comentários (0)

01/09/2025 11h11 - Atualizado há 8 meses
Palmas é a capital com o maior percentual de moradores pagando aluguel

Notícias de Palmas - A performance “Especulação Arbórea”, realizada pela artista 'Almeida et al' em Palmas, tem provocado debates inas ruas e nas redes sociais. A ação, organizada pelo Coletivo Flácido, confronta de forma crítica e poética dois problemas urbanos cada vez mais evidentes na capital: a especulação imobiliária e a escassez de áreas verdes.

Na intervenção, placas com dizeres como “aluga-se” e “vende-se sombra” foram espalhadas pela cidade, acompanhadas de valores fictícios. A ironia é clara: enquanto os preços do mercado imobiliário disparam, Palmas carece de sombra, espaços de lazer e arborização adequada.

O questionamento da artista ganha ainda mais peso diante dos números oficiais do IBGE. Pelo oitavo ano consecutivo, Palmas manteve o recorde nacional de domicílios ocupados por moradores que pagam aluguel. Em 2024, 44,9% dos domicílios da capital estavam nessa condição, superando em 6 pontos percentuais a segunda colocada, Goiânia (38,9%).

Desde 2016, quando o índice era de 31%, a tendência tem sido de crescimento. Palmas também foi a primeira capital a ultrapassar a marca de 40% em aluguel, atingida em 2022 (43,0%), evidenciando a dificuldade da população em acessar moradia própria e a pressão da especulação sobre a vida urbana.

“Quis provocar uma leitura dupla: a ausência de arborização e o peso da especulação imobiliária. Palmas é a capital mais jovem do Brasil, mas não garante condições dignas e acessíveis de moradia. No lugar de árvores nativas do Cerrado, insiste-se em plantar palmeira azul, símbolo estético que pouco contribui para o conforto térmico”, explicou a artista.

Para o gestor do Coletivo Flácido, Filipe Porto, a repercussão demonstra a força da arte no debate público.

“A reação das pessoas mostra que Palmas precisa discutir de maneira séria sua relação com o espaço público, a moradia e o meio ambiente. A arte tem esse papel de abrir espaços de reflexão coletiva”, afirma.

A performance integra parte da residência artística Escala 1:1 – Ações Humanas para Espaços Monumentais, que ao longo de agosto reuniu artistas locais e nacionais em Palmas para desenvolver trabalhos em torno da ocupação e do uso dos espaços urbanos.

O projeto foi realizado com recursos da Lei Aldir Blanc 2, operacionalizados pela Prefeitura de Palmas, por meio da Fundação Cultural de Palmas.

Comentários (0)

Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

(63) 3415-2769
Copyright © 2011 - 2026 AF. Todos os direitos reservados.