Veículo fazia corrida pelo aplicativo Maxim e transportava passageiro.
Notícias do Tocantins - Um serviço aparentemente rotineiro de roçagem no canteiro central da BR-153, no perímetro de Araguaína, terminou em um susto que poderia ter resultado em uma tragédia. Um parafuso foi lançado contra um carro que trafegava pela rodovia, atravessou o vidro da porta do motorista e caiu sobre o banco do condutor.
O veículo fazia uma corrida pelo aplicativo Maxim e transportava um passageiro no momento do incidente. Conforme as informações repassadas ao AF Notícias, o parafuso teria se desprendido da roçadeira que fazia o corte da vegetação no canteiro central.
A peça atingiu o automóvel justamente pelo lado do motorista, perfurou o vidro lateral e entrou na cabine. Apesar da violência do impacto, ninguém foi atingido.
A posição em que o objeto entrou no veículo mostra o tamanho do risco. O parafuso atravessou uma área ocupada pelo motorista durante a condução e terminou sobre o banco. Uma diferença de centímetros na trajetória poderia ter provocado ferimentos e, considerando que o automóvel estava em movimento na BR-153, desencadeado um acidente de consequências ainda maiores.
O episódio acende um alerta para um tipo de serviço realizado diariamente às margens de rodovias e avenidas. A roçagem é indispensável para conservação da faixa de domínio e visibilidade dos motoristas, mas equipamentos de corte trabalham em alta rotação e exigem medidas capazes de reduzir o risco de projeção de pedras, pedaços de metal e outros objetos em direção aos veículos.
DNIT mantém contrato de manutenção no trecho
A BR-153 no norte do Tocantins está sob jurisdição do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). A apuração identificou que está vigente o Contrato nº 0295/2023-23, firmado entre o órgão federal e a Ethos Engenharia de Infraestrutura S/A, para execução do Plano Anual de Trabalho e Orçamento, o PATO, em aproximadamente 294,7 quilômetros da BR-153, trecho que abrange Araguaína.
Após aditivo, o contrato passou a ter valor total de aproximadamente R$ 102,87 milhões e vigência prevista até 13 de novembro de 2026.
A existência do contrato, contudo, não permite atribuir automaticamente à Ethos a responsabilidade pelo episódio. Até o fechamento desta apuração, não havia manifestação pública do DNIT nem informação oficial identificando a empresa ou equipe que executava especificamente a roçagem no momento em que o parafuso atingiu o veículo.
Também precisa ser tecnicamente esclarecido se a peça efetivamente fazia parte da roçadeira e se desprendeu do equipamento, como aponta o relato encaminhado à reportagem, ou se estava no solo e acabou sendo projetada pelo mecanismo de corte.
Regras exigem segurança para usuários da rodovia
As próprias normas do DNIT estabelecem cuidados para os serviços de conservação rodoviária. A Resolução nº 8/2023, que disciplina os contratos do tipo PATO, determina a utilização de dispositivos de sinalização em intervenções na pista e no acostamento para promover o controle temporário do tráfego e garantir a segurança tanto dos trabalhadores quanto dos usuários da rodovia.
O caso ocorrido em Araguaína, porém, vai além da sinalização. Ele levanta questionamentos sobre as condições do equipamento utilizado, sua manutenção e inspeção antes do serviço, a forma de isolamento da área e as medidas empregadas para impedir que objetos sejam lançados contra veículos que passam a poucos metros dos trabalhadores.
Nenhuma pessoa ficou ferida desta vez. O vidro quebrado e o parafuso dentro do carro, contudo, deixam um alerta concreto: em uma rodovia de tráfego intenso como a BR-153, uma pequena peça metálica lançada contra um veículo em movimento pode transformar um serviço de manutenção em um acidente grave em questão de segundos.
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