Parque já virou um local de abandono de animais domésticos
Notícias de Araguaína - Em pleno clima de Natal, o Parque Cimba, em Araguaína, voltou a ser palco de abandono de animais — problema que já se tornou rotina no local. Desta vez um cachorro foi encontrado amarrado e sozinho na manhã desta segunda-feira (08/12). Muitos gatos também são deixados frequentemente no espaço público.
O vigia do parque acionou as protetoras que cuidam dos animais abandonados no parque após flagrar a cena. Ele registrou um vídeo que mostra o cão, de pequeno porte, preso por uma corda a uma das barracas montadas para a programação natalina, próximo à entrada. Segundo o relato, o homem que deixou o animal chegou caminhando, conversou rapidamente com os vigilantes para despistar e depois saiu, abandonando o cão preso a uma barraca instalada no local.
O Instituto Mundo Animal informou ao AF Notícias que o animal será resgatado e que um boletim de ocorrência será registrado, já que o abandono é crime previsto em lei.
Parque se torna ponto recorrente de abandono
O Parque Cimba já é palco de abandonos constantes, principalmente de gatos — adultos e filhotes. Protetoras voluntárias mantêm um grupo organizado nas redes sociais para garantir alimento, cuidados, castração e acompanhamento dos animais. Atualmente, seis gatos vivem no parque sob cuidados, mas em outros períodos o número já alcançou 20.
As voluntárias afirmam que o problema só será combatido com políticas públicas efetivas, como:
instalação de câmeras de videomonitoramento para identificar agressores;
intensificação das castrações, tanto de animais domiciliados quanto os que estão em situação de rua e os comunitários;
fiscalização contínua e responsabilização criminal e civil de quem abandona.
Cenário nacional revela problema ainda maior
O abandono de animais é uma realidade alarmante no Brasil. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgados em junho deste ano, estimam que mais de 30 milhões de cães e gatos vivem nas ruas. São cerca de 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães — muitos deles vítimas diretas do abandono.
O fim de ano agrava o problema. Dezembro é o mês com maior número de ocorrências, impulsionado por viagens, mudanças de rotina e decisões impulsivas. É nesse contexto que surgiu o movimento Dezembro Verde, criado em 2015 no Ceará para conscientizar a população e combater o abandono. A data simbólica do movimento é 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos dos Animais.
Entre os fatores que intensificam o problema está a baixa castração: apenas 28% dos cães e 53% dos gatos são esterilizados no país, segundo a Mars Petcare, o que dificulta o controle populacional e aumenta a vulnerabilidade dos animais.
O que diz a lei
O abandono e os maus-tratos são crimes previstos na Lei Federal nº 9.605/98. Após a Lei nº 14.064/20, a pena para quem pratica violência contra cães e gatos aumentou para 2 a 5 anos de reclusão, além de multa e proibição de guarda — punição ainda mais severa em casos de morte.
Por que a conscientização é essencial
Animais abandonados sofrem com falta de alimento, doenças, violência e risco de atropelamentos. Além disso, a presença de animais soltos nas ruas impacta diretamente a saúde pública, expondo populações a zoonoses e acidentes.
A conscientização inclui:
responsabilidade contínua com o animal adotado;
empatia e combate a maus-tratos;
mobilização comunitária por políticas de proteção e adoção.
Adoção responsável: compromisso para a vida toda
Adotar um animal exige preparo financeiro, emocional e de rotina. Envolve alimentação adequada, consultas veterinárias, vacinação, abrigo seguro e atenção constante. É fundamental que futuros tutores avaliem se podem oferecer esses cuidados.
Organizações e protetores realizam entrevistas e visitas prévias para garantir que o novo lar seja adequado — procedimento fundamental para evitar novos casos de abandono.
Vulneráveis precisam de chance
Animais idosos, doentes, com deficiência ou vira-latas são os que mais sofrem abandono e os que menos encontram adotantes. Oferecer um lar — definitivo ou temporário — pode ser a diferença entre a vida e a morte desses animais.