Em Goiatins (TO)

População faz protesto na 'ponte da morte', símbolo de tragédias e descaso no Tocantins

Manifestantes exigem ações efetivas para evitar novas mortes na ponte.

Por Auro Giuliano | AF Notícias 3.094
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16/06/2025 10h15 - Atualizado há 5 meses
Manifestação cobra providências urgentes quanto à situação da ponte

Notícias do Tocantins - Moradores de Goiatins, no norte do Estado, fizeram uma manifestação pública no último sábado (14/5) para cobrar providências urgentes quanto à situação da ponte sobre o rio Aldeia Grande, localizada na BR-010. Conhecida como “Ponte da Morte”, a estrutura tornou-se símbolo de descaso e tragédia, após sucessivos acidentes fatais registrados ao longo dos anos.

A manifestação reuniu moradores, familiares de vítimas e lideranças comunitárias que, com faixas e cartazes, denunciaram o abandono da via e a falta de sinalização, iluminação e manutenção adequadas. Entre os cartazes, frases como “Queremos ponte que une, não que mata” e “Quantos vão morrer até agirem?” expressaram o clamor coletivo por segurança e dignidade.

Quantas vidas interrompidas por falta de responsabilidade pública?”, lamentou um dos participantes. Outro morador reforçou o apelo: “Queremos uma ponte nova já. Chega de tanta tragédia.

A pressão popular reacendeu o debate sobre as responsabilidades pela infraestrutura da rodovia. Em postagem nas redes sociais, o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) afirmou que a estrada é de responsabilidade federal e que a solução precisa partir do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e do Governo Federal. “Estou à disposição, mas essa estrada é uma BR”, declarou.

A fala do governador gerou reações imediatas. “Mesmo não sendo responsabilidade direta do Estado, trata-se de território tocantinense. Portanto, deve ser também preocupação do governo estadual”, escreveu um internauta. Outro seguidor cobrou articulação: “O senhor tem o poder de reunir a bancada federal e dar o grito pelo povo que o elegeu.”

A ponte é velha conhecida dos moradores da região, e seu histórico de tragédias é extenso. Apenas nos últimos três anos, pelo menos três mortes tiveram ampla repercussão: Anielly Ribeiro Figueredo, de 27 anos, em 2025; o seminarista Luciano dos Santos Dantas, em 2022; e o produtor rural Laury Luiz Camera, em 2023. Todos perderam a vida em decorrência das condições precárias da estrutura.

Manifestação reuniu moradores, familiares de vítimas e lideranças comunitárias.

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A indignação também repercute nas redes sociais. No mês passado, o perfil @goiatinstemhistoria chamou atenção para o abandono: “Brasília foi erguida em cinco anos, mas aqui, décadas se passam sem um metro de concreto que garanta segurança.”

Na ocasião, o DNIT informou, por meio de nota, que realiza o monitoramento da estrutura e avalia obras prioritárias em todo o país. “A autarquia já realiza o monitoramento da estrutura em tela, de forma a verificar a necessidade de manutenção mais urgente, bem como para inspecionar as condições da sinalização”, diz um trecho. No entanto, não há previsão concreta para intervenções.

A prefeitura de Goiatins também foi alvo de críticas da população, acusada de omissão e falta de articulação política para pressionar Brasília e o governo estadual por soluções efetivas.

Enquanto isso, a BR-010 - que deveria ser corredor de desenvolvimento econômico e turístico para a região - continua sendo vista como uma armadilha. “Como falar em turismo se a entrada da cidade é uma roleta-russa?”, questionou a moradora Kevia Brito.

A pressão agora é por uma resposta rápida e definitiva. Como sintetiza a pergunta que ecoou na manifestação: “Quantos mais precisam morrer para que essa ponte deixe de ser um monumento ao descaso?”

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