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Show de desvios: a turnê secreta da corrupção pelo Tocantins | Keslon Borges

Keslon Borges, economista e especialista em Gestão Pública.

Por Colaboração do leitor 1.982
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17/06/2025 16h57 - Atualizado há 1 ano
Keslon Borges é economista e especialista em Gestão Pública.

Keslon Borges | Artigo de Opinião

Ah, o Tocantins. Terra de sol escaldante, rios abundantes, gente calorosa... e eventos culturais milionários. Palmas brilha, Araguaína dança, Porto Nacional canta e muitos outros municípios participam do baile — e o dinheiro público desfila no camarote VIP da impunidade.

Bem-vindo ao "Festival do Desvio", um evento extraoficial, mas muito bem organizado por certos prefeitos, deputados e empresas de eventos. A banda de fundo? A mesma de sempre: dinheiro público desafinando com a ética.

A mágica dos cachês inflados

Imagine o seguinte: um artista local, que cobra R$ 2.000 por show em bares ou aniversários, de repente aparece em uma nota fiscal de uma prefeitura por R$ 30.000, R$ 50.000... às vezes mais. Um milagre artístico? Um talento revelado no The Voice da corrupção? Não. É apenas o som do dinheiro público sendo amplificado em caixas de som que não tocam para o povo.

Mas o mais triste (e irônico) é que o artista, coitado, continua recebendo os mesmos R$ 2.000 — quando muito. Afinal, ele precisa do pão, da gasolina, do aluguel. Não é ele quem puxa o fio da maracutaia, ele apenas canta com a garganta que tem. O resto do cachê, como num passe de mágica, vai para bolsos que não sobem ao palco — mas fazem questão de estar no camarim do orçamento público.

Os bastidores do espetáculo

Essas contratações não são novidade. Acontecem há anos. Os mesmos nomes, os mesmos eventos, os mesmos superfaturamentos. O enredo muda pouco: a prefeitura contrata uma empresa “especializada” em eventos culturais, que intermedeia os shows, emite notas com valores estratosféricos e... bom, o artista canta, o povo dança, e a verba some como nota de cem em carnaval de rua.

Os órgãos fiscalizadores assistem, de camarote. Às vezes até se levantam, aplaudem um inquérito aqui, uma investigação acolá, mas logo se sentam novamente quando o som do silêncio institucional volta a tocar.

Quando a cultura vira escudo

É claro, sempre há um discurso pronto: “Estamos valorizando a cultura regional!”, dizem eles, com cara de quem nunca pisou em um ensaio comunitário. Cultura, neste caso, virou escudo e cortina de fumaça para contratos escusos, uma desculpa bonita para justificar notas fiscais que fariam qualquer Grammy parecer modesto.

A pergunta que ninguém responde: se o artista só recebeu uma fração, para onde foi o resto?

O mistério que ninguém quer resolver

As evidências estão aí, saltando como refrão de música ruim: os valores incompatíveis, os mesmos fornecedores em diferentes cidades, os contratos sem licitação clara, a repetição do modus operandi. Milhões de reais evaporam todos os anos nesse palco de interesses.

Mas enquanto isso, escolas seguem sem estrutura, postos de saúde sem remédios e o povo — que deveria ser o público principal — assiste de longe ao verdadeiro show: o do desvio.

Final (ainda sem desfecho)

No Tocantins, os eventos continuam. Os artistas cantam, os políticos posam, as empresas de fachada faturam — e o povo paga a conta, como sempre.

Este não é apenas um ensaio irônico. É um convite à investigação séria, à coragem de romper esse ciclo, à vontade de tirar o microfone das mãos erradas.

Porque a cultura merece respeito. Os artistas merecem receber pelo que fazem — sem serem usados como instrumentos de um esquema que só desafina a justiça.

E o povo... bom, o povo merece mais do que confete, palco e fumaça. Merece transparência. Merece decência.

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KESLON BORGES – Economista e Especialista em Gestão Pública.

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