Candidato defende valorização dos professores e reforço em Português e Matemática.
Notícias do Tocantins - O ensino médio da rede pública estadual do Tocantins chegou a 2025 sem conseguir avançar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). A nota permaneceu em 4,1, exatamente o mesmo resultado registrado nas duas avaliações anteriores, de 2021 e 2023.
São três edições consecutivas sem crescimento no indicador da rede pública estadual. Em 2021, quando o Tocantins também obteve 4,1, a meta projetada para aquele ano era de 4,7.
Os novos números, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram um cenário diferente quando são consideradas conjuntamente as redes pública e privada. Nesse recorte, o ensino médio tocantinense apresentou pequena melhora, passando de 4,2, em 2023, para 4,3 em 2025.
O Ideb combina dois fatores: o desempenho dos estudantes no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), especialmente em Língua Portuguesa e Matemática, e os índices de aprovação escolar. Por isso, a manutenção da mesma nota indica que o resultado agregado da rede estadual não avançou nas últimas três edições.
Os números entraram no debate eleitoral. Candidato ao Governo do Tocantins, Laurez Moreira (PSD) afirmou que a permanência do ensino médio estadual no mesmo patamar exige uma reação mais rápida do poder público.
“Quando uma rede permanece dois anos com a mesma nota, não podemos simplesmente comemorar o resultado geral. Precisamos olhar para dentro das escolas e perguntar o que está funcionando, o que não está funcionando e, principalmente, o que podemos fazer diferente para que nossos alunos aprendam mais”, afirmou.
Laurez defende acompanhamento permanente
Entre as medidas defendidas pelo candidato está a criação de uma política permanente de monitoramento da aprendizagem, com identificação das dificuldades dos estudantes durante o próprio ano letivo e ações de recuperação antes que as defasagens se acumulem.
Laurez também cita como prioridades a formação continuada dos professores, o reforço em Matemática e Língua Portuguesa e o uso das avaliações educacionais para orientar intervenções nas escolas.
Outra proposta apresentada é a criação de mecanismos para identificar estudantes com risco de abandono ou defasagem escolar.
“Não basta colocar o aluno dentro da sala de aula. Precisamos garantir que ele esteja aprendendo, que tenha um professor valorizado e preparado, uma escola estruturada e uma política pedagógica que acompanhe sua evolução. Educação se faz com planejamento, presença e resultado”, declarou.
Estado já mantém ações de recomposição
A rede estadual já desenvolve medidas destinadas à recuperação e ao acompanhamento da aprendizagem. Em 2026, por exemplo, a Secretaria de Estado da Educação contratou mais de R$ 21,7 milhões em materiais pedagógicos destinados à recomposição da aprendizagem de estudantes do ensino fundamental e médio.
Também existem programas direcionados à correção da distorção idade-série e avaliações próprias para acompanhar o desempenho dos estudantes.
Laurez argumenta, contudo, que essas iniciativas precisam produzir avanço mais consistente nos indicadores do ensino médio.
“O Tocantins tem professores competentes, estudantes com enorme potencial e uma rede que pode entregar muito mais. O que precisamos é de uma gestão que tenha coragem para olhar os números, reconhecer os problemas e agir”, afirmou.
Enquanto a discussão política avança, o resultado de 2025 deixa um desafio objetivo para a educação estadual: depois de registrar 4,1 em 2021, repetir 4,1 em 2023 e novamente alcançar 4,1 em 2025, o ensino médio público do Tocantins terá de romper uma sequência de três avaliações sem crescimento no Ideb.