Pré-candidato diz que é preciso garantir previsibilidade financeira às unidades filantrópicas.
Notícias do Tocantins - O impasse financeiro entre o Hospital Dom Orione e o Governo do Tocantins voltou ao debate político após o deputado federal e pré-candidato ao Palácio Araguaia, Vicentinho Júnior (PSDB), defender uma solução permanente para garantir os atendimentos prestados por hospitais filantrópicos e conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Os serviços contratados pelo Estado continuam sendo realizados no hospital, em Araguaína, por determinação da Justiça. A unidade informou que cumprirá a decisão, mas apresentou recurso, mantendo aberta a disputa sobre os valores cobrados e as condições financeiras para a continuidade dos atendimentos.
O conflito começou após o Dom Orione anunciar a suspensão gradual de cirurgias e outros procedimentos eletivos, sob a alegação de atrasos nos pagamentos do Governo do Tocantins. Segundo o hospital, a dívida estadual chegaria a R$ 49,3 milhões, além de despesas financeiras acumuladas para manter os serviços em funcionamento.
A interrupção atingiria cirurgias cardíacas, urológicas, neurológicas e endovasculares, além de procedimentos de obstetrícia, pré-natal de alto risco e neonatologia. Atendimentos de urgência e emergência, cirurgias urgentes e a assistência aos pacientes já internados seriam mantidos.
Diante do anúncio, o Governo do Estado acionou a Justiça e conseguiu uma decisão liminar obrigando o hospital a continuar integralmente os serviços previstos nos contratos mantidos com o SUS. A ordem estabeleceu multa diária de R$ 10 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento.
Hospital e Governo divergem sobre valores
O Hospital Dom Orione sustenta que os sucessivos atrasos nos repasses comprometeram o pagamento de fornecedores, prestadores de serviços, salários, tributos e encargos trabalhistas. A instituição afirma que precisou recorrer a empréstimos e antecipações de recebíveis para preservar os atendimentos.
O Governo do Tocantins contesta os valores apresentados pelo hospital. A Secretaria de Estado da Saúde informou que os contratos permanecem vigentes e que a unidade tem a obrigação de manter os serviços contratados.
A pasta também anunciou uma auditoria para apurar os débitos efetivamente existentes, alegando divergência entre os valores cobrados pelo hospital e os registros dos processos administrativos. Segundo o Governo, mais de R$ 44 milhões foram repassados ao Dom Orione entre janeiro e julho de 2026.
A decisão judicial garantiu a continuidade dos serviços no momento, mas não resolveu a controvérsia financeira entre as partes.
Vicentinho cobra solução permanente
Ao se posicionar sobre o caso, Vicentinho Júnior afirmou que a rede estadual precisa adotar mecanismos capazes de garantir regularidade e previsibilidade nos pagamentos aos hospitais filantrópicos e conveniados ao SUS.
Segundo o pré-candidato, depender apenas de decisões judiciais ou negociações emergenciais mantém pacientes e instituições sob o risco de novas crises.
“Quando um hospital enfrenta dificuldades financeiras, quem mais sofre é o paciente que depende dele. O Dom Orione é referência para Araguaína e dezenas de municípios da região Norte, por isso precisa ter segurança para continuar prestando esse serviço”, afirmou.
O deputado também declarou que destinou mais de R$ 69,4 milhões para a saúde de Araguaína durante sua atuação parlamentar. Conforme os dados apresentados por sua assessoria, desse montante, mais de R$ 3,2 milhões foram encaminhados ao Hospital Dom Orione entre 2016 e 2026.
Vicentinho citou ainda recursos destinados à construção do Hospital Municipal Infantil de Araguaína e ao custeio de serviços de média e alta complexidade da rede pública municipal.
“Destinamos mais de R$ 3,2 milhões para fortalecer essa unidade porque acreditamos que investir na saúde é investir na vida das pessoas. Mas é preciso ir além dos recursos pontuais”, declarou.
Propostas para a rede estadual
Entre as propostas apresentadas pelo pré-candidato estão a construção de três hospitais regionais e a conclusão das obras dos hospitais gerais de Araguaína e Gurupi.
Vicentinho também defende a ampliação da telemedicina, a regionalização de consultas, exames e cirurgias, além da criação de uma plataforma digital para permitir o acompanhamento das filas de espera da rede estadual.
O plano inclui ainda a expansão de serviços especializados, como hemodiálise, para reduzir o deslocamento de pacientes, e a adoção de um modelo que assegure maior previsibilidade nos pagamentos aos hospitais privados e filantrópicos contratados pelo SUS.
Propostas para a saúde
Construção de três novos hospitais regionais para ampliar a oferta de serviços de média e alta complexidade;
Conclusão das obras dos hospitais gerais de Araguaína e Gurupi;
Fortalecimento da regionalização da saúde, levando consultas, exames e cirurgias para mais perto da população;
Expansão da telemedicina, facilitando o acesso a especialistas nos municípios de menor porte;
Implantação de uma plataforma digital para marcação de consultas, exames e cirurgias, com maior transparência nas filas de espera;
Garantia de previsibilidade nos repasses aos hospitais filantrópicos e prestadores conveniados ao SUS;
Ampliação de serviços especializados, como a hemodiálise, reduzindo a necessidade de deslocamentos de pacientes para outras cidades.
Vicentinho defendeu que a reorganização da rede estadual de saúde deve combinar investimentos em infraestrutura, modernização da gestão e maior segurança financeira para os hospitais, com o objetivo de ampliar o acesso da população aos serviços públicos de saúde e evitar novas crises de atendimento.
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