Em toda a Região Norte, foram registrados 5.245 desaparecimentos em 2025.
Notícias do Tocantins - O Brasil registrou 84.760 pessoas desaparecidas em 2025, média de 232 casos por dia, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número representa um aumento de 4,51% em relação a 2024, consolidando uma tendência de crescimento nos registros de desaparecimentos no país.
Entre as vítimas, 23.919 eram crianças e adolescentes de até 17 anos — ou seja, 28% dos casos. O recorte de gênero é preocupante: das ocorrências envolvendo menores, 14.658 são meninas e 9.159 meninos. Entre o total de desaparecidos, os homens representam 64% dos casos, enquanto entre os menores de idade, 62% são meninas.
O aumento é ainda mais expressivo quando se compara com 2024, ano em que foram registrados 22.092 desaparecimentos de crianças e adolescentes. Em 2025, esse número subiu 8%, o dobro da média geral de crescimento de 4%. Na prática, três em cada dez desaparecimentos no país envolvem vítimas com menos de 18 anos.
De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) e do Mapa dos Desaparecidos no Brasil, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a maior parte dos casos ocorre entre sexta-feira e domingo, período considerado crítico.
Tocantins: dados preocupantes e estrutura deficiente
Na Região Norte, foram registrados 5.245 desaparecimentos em 2025, uma média de 14 casos por dia e uma taxa de 27,9 por 100 mil habitantes. O Tocantins ocupa a 4ª posição entre os sete estados da região, com 609 casos, 9% a mais que em 2024.
Segundo Mônica Brito, secretária executiva do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca/TO), os números evidenciam a necessidade urgente de fortalecer políticas públicas de prevenção, busca e investigação.
“No Tocantins, há falta de aparelhamento das delegacias e de capacitação das equipes do sistema de segurança pública. Muitos erros estruturais persistem, sem avaliação institucional para corrigir falhas durante buscas e investigações de crianças e adolescentes desaparecidos”, alerta Mônica.
O histórico brasileiro mostra que, desde 2015, quando foram registrados 75.916 desaparecimentos, houve redução apenas em 2020 (63.151) e 2021 (67.362) — efeito da pandemia, que restringiu circulação e gerou subnotificação.
Atualmente, apenas 12 das 27 unidades da federação têm registros totalmente integrados ao Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas. O Tocantins faz parte desse grupo, fruto da atuação de organizações da sociedade civil como o Cedeca/TO, que também se destacaram em casos emblemáticos, como o desaparecimento de Laura Vitória, em 2016.
Apesar disso, o sistema ainda é desarticulado, com falhas na comunicação entre delegacias, órgãos de segurança e justiça, prejudicando investigações e reduzindo chances de localização.
“Em casos como o da Laura, houve demora na abertura do inquérito, troca sistemática de delegacias e anos de inércia institucional. Além disso, a família recebeu pouco apoio psicossocial e houve falhas de comunicação com os órgãos de segurança”, exemplifica Mônica.
Desafios sociais e estigmatização
Familiares e amigos de pessoas desaparecidas frequentemente enfrentam violência institucional e estigmatização. Casos envolvendo crianças e adolescentes são, muitas vezes, descreditados por estereótipos, associados equivocadamente a “fugas”, “namoros” ou negligência familiar.
O que fazer em casos de desaparecimento
A principal orientação é registrar o boletim de ocorrência imediatamente, sem esperar 24 ou 48 horas. A Lei nº 13.812/2019 garante que a comunicação de desaparecimento seja recebida imediatamente.
No caso de crianças e adolescentes, a Lei nº 11.259/2005 e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelecem prioridade absoluta na investigação, com integração de informações via Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, cruzamento de dados em todo o país e envio de alertas a portos, aeroportos, rodovias e transportes interestaduais e internacionais.
O objetivo das leis é garantir proteção imediata, agilizar buscas e fortalecer a investigação, aumentando as chances de localização de crianças, adolescentes e adultos desaparecidos.