Defensoria intervém

Ambulantes que trabalham na rodoviária há mais de 30 anos terão que desocupar local

Por Agnaldo Araujo
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30/04/2017 09h13 - Atualizado há 2 meses
A prefeitura de Araguaína notificou os vendedores ambulantes que ficam nas imediações da rodoviária de Araguaína para que eles desocupem a área em que expõem ou circulam com produtos de pequeno valor monetário como picolé, milho assado, laranja descascadas e redes de tecido. Segundo os ambulantes, alguns atuam há mais de 30 anos com o comércio desses produtos. A notificação foi emitida pelo Departamento de Posturas e Edificações (Demupe). Diante da situação, os próprios ambulantes recorreram à Defensoria Pública Estadual (DPE) para buscar orientação quanto à notificação. O coordenador do Núcleo Aplicado de Minorias e Ações Coletivas da Defensoria, Sandro Ferreira, atendeu aos ambulantes. Como resultado, a DPE-TO vai recomendar que haja delimitação de novas áreas públicas no município para atender aos ambulantes e que o tema seja discutido em audiência pública. Para o defensor, ao emitir as notificações a prefietura deve oportunizar a conciliação e ofertar outros espaços, conforme a demanda. O ambulante de carrinho de picolé, Silvano Faria da Silva, 40 anos, vê a notificação como discriminação. “Não estamos questionando o direito da Prefeitura, mas não é só chegar lá e notificar, botar a polícia para tirar, porque nós não somos bandidos, se fizer isto, são mais oito pessoas desempregadas. Já que a rodoviária está passando por uma reforma, que ajeitasse um canto para a gente. Se formos apenas retirados serão mais oito pessoas desempregadas, não acho justo, estamos lá pelejando, desde 92 quando comecei a trabalhar naquela região. Primeiro a igreja, depois minha família e a minha terceira paixão minha é a rodoviária. É o sustento da minha família e até ajudo no social com minha renda, faço evento com sorvete para as pessoas”, disse. Já o ambulante Inácio Bispo da Silva Santos, de 54 anos, que vende as redes de tecido, quer uma solução pacífica com a Prefeitura. “Não quero atrapalhar ninguém, eu quero só que arrumem um local para eu trabalhar que seja na rodoviária, temos espaço lá, está reformando e ficando bonito, só quero um local pequeninho para eu cuidar da minha família. A Prefeitura tem o direito de organizar, mas que resolva deixando a gente lá”, argumentou.

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