Entrevista

Candidato a presidente do PT critica acordos com a direita e teme colapso do partido pós-Lula

Valter Pomar faz campanha no Tocantins esta semana, reunindo com sindicalistas e filiados.

Por Auro Giuliano | AF Notícias
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08/05/2025 16h40 - Atualizado há 1 ano
Pomar é candidato ao diretório nacional pela Articulação de esquerda

Notícias do Tocantins - Em passagem pelo Tocantins durante campanha à presidência nacional do PT, o historiador e membro do Diretório Nacional, Valter Pomar, detalhou ao AF Notícias suas propostas para renovar o partido, criticou a atual política econômica do governo Lula e alertou sobre os riscos de o PT se tornar um "gigante eleitoral passivo".  

"O PT precisa voltar a ser um partido militante˜  

Pomar, que é candidato pela Articulação de Esquerda (chapa "A Esperança é Vermelha"), destacou que sua campanha tem dois objetivos principais: conquistar a presidência do PT, fazendo maioria no diretório, e reconstruir o debate interno. Para isso, está percorrendo os 27 estados até junho, já tendo visitado Tocantins, Piauí, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e outros.  

"Nosso método é bater perna, conversar com a militância. O PT não pode ser só uma máquina eleitoral. Precisa estar nos sindicatos, nos movimentos sociais, nas periferias", afirmou.

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Críticas à política econômica e ao governo

O candidato foi incisivo ao criticar a busca pelo "déficit zero" e a subordinação ao mercado financeiro:  

"A política econômica atual prioriza pagar juros da dívida em vez de investir em indústria, reforma agrária e direitos trabalhistas. Enquanto isso, o Banco Central drena recursos para o setor financeiro."

Também questionou a permanência de ministros como José Múcio (Defesa), acusando-o de ser "quinta coluna do golpismo" por sua atuação no 8 de janeiro.  

"O PT está virando moeda de troca em alianças espúrias"

Pomar atacou a centralização das decisões no Diretório Nacional, que, segundo ele, sufoca a autonomia de diretórios estaduais e municipais:  

"O PT virou refém de acordos com a direita em estados menores. Abrimos mão de candidaturas próprias para apoiar oligarcas, e o resultado é que estamos deixando de eleger governadores e parlamentares."

Sua proposta é retomar a tradição petista de candidaturas próprias e fortalecer a esquerda nos territórios, mesmo que os resultados sejam de médio prazo.  

Desafios para 2026 e o pós-Lula

Sobre as eleições presidenciais, Pomar foi claro:  

"Lula provavelmente vencerá em 2026, mas será sua última disputa. Se o PT não se reorganizar como partido militante, entrará em colapso depois dele."  

Ele lembrou que metade dos votos de Lula em 2022 vieram de eleitores petistas, não apenas do carisma do ex-presidente, e defendeu que o PT recupere o apoio majoritário da classe trabalhadora.

"PED pode ter eleição mais acirrada da história", diz Pomar

O candidato da Articulação de Esquerda destacou que a fragmentação do grupo majoritário - que apoiou Gleisi Hoffmann nas últimas duas eleições - agora em três correntes (Edinho Silva, que tem o apoio de Lula, Washington Quaquá e Rômulo Pereira) cria um cenário inédito de disputa interna. O outro candidato é o ex-presidente da sigla, Rubens Falcão.

*Atualização: Quaquá recuou de sua candidatura nesta quarta-feira (7). Ele informou a aliados próximos que deixará a corrida interna e deve apoiar João Paulo Rodrigues, coordenador nacional do Movimento Sem Terra (MST), caso ele aceite entrar na disputa.

"Se confirmadas as cinco candidaturas, teremos uma eleição onde nenhum bloco chega com hegemonia clara", analisou Pomar, lembrando que em 2019 haviam apenas três postulantes.

Para o historiador, a divisão reflete a crise da estratégia de "frente ampla" adotada desde 2022: "A agressão entre eles, que defendem a mesma política econômica, mostra que o modelo não está dando os resultados esperados". A chapa "Esperança Vermelha" se posiciona como alternativa a esses grupos, defendendo mudanças radicais na condução do partido e do governo.

PED: "Eleição direta virou um sistema frágil e fraudável"

O candidato criticou o Processo de Eleição Direta (PED), usado desde 2001, por facilitar fraudes e desmobilizar a base:  

"Hoje, filiados votam sem debater. Descobrimos até adulteração em cadastros. Precisamos voltar ao modelo antigo, em que só vota quem participa de discussões."

Propostas-chave de Pomar  

1. Mudança na política econômica: Revogar o teto de gastos e priorizar investimentos sociais.  

2. Reorganização do PT: Autonomia para diretórios locais e fim de alianças com a direita.  

3. Mobilização social: Protagonismo em lutas como o fim da jornada de 6x1 para trabalhadores.  

4. Reforma no PED: Voto apenas após debates presenciais.  

"Ou o PT volta a ser instrumento da classe trabalhadora, ou virará um partido eleitoreiro em decadência", concluiu.  

A eleição para a direção nacional do PT ocorre em 6 de julho. Até lá, Pomar seguirá cruzando o país para convencer militantes de que sua chapa é a alternativa para "reerguer e levar o partido a reconquistar o poder, não só o governo".

O que é o PED?  

O Processo de Eleição Direta (PED) é o sistema usado pelo Partido dos Trabalhadores desde 2001 para escolher suas direções municipais, estaduais e nacional. As eleições deste ano definirão os rumos do partido até 2027.

Como funciona?

- Votação universal: Todos os filiados regulares podem participar, sem necessidade de ser delegado. 

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