OAB defende respeito às prerrogativas da advocacia e à sua autonomia institucional.
Notícias do Tocantins - A Ordem dos Advogados do Brasil no Tocantins (OAB-TO) passou a acompanhar oficialmente os desdobramentos do caso que ganhou repercussão no meio jurídico após um advogado ser acusado, durante uma sessão de julgamento do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), de utilizar inteligência artificial de forma supostamente inadequada em sua atuação processual.
O episódio ocorreu durante uma sessão recente do Judiciário tocantinense e chamou a atenção da comunidade jurídica após um magistrado anunciar a aplicação de multa por litigância de má-fé ao profissional, sob a alegação de que teriam sido identificados indícios de uso antiético de ferramentas de inteligência artificial em manifestações apresentadas nos autos.
Diante da repercussão do caso, a OAB Tocantins divulgou posicionamento institucional manifestando preocupação com os fatos e reforçando sua atuação na defesa das prerrogativas da advocacia, além de destacar a autonomia da entidade para fiscalizar, apurar e julgar eventuais infrações ético-disciplinares atribuídas aos profissionais da categoria.
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OAB defende respeito às prerrogativas da advocacia
Em nota, a Ordem ressaltou que a advocacia é atividade essencial à administração da Justiça e que a atuação dos profissionais deve ser analisada dentro dos parâmetros constitucionais e legais que asseguram a independência do exercício da profissão.
A entidade também destacou que compete à própria OAB exercer a regulação, fiscalização e eventual responsabilização ético-disciplinar dos advogados, observando os procedimentos previstos no Estatuto da Advocacia e no Código de Ética da profissão.
Segundo a instituição, a preservação dessas garantias é fundamental para assegurar o pleno exercício da defesa e o equilíbrio entre os atores que integram o sistema de Justiça.
CNJ entra no caso e pede esclarecimentos
A repercussão do episódio ultrapassou os limites do estado e chegou à Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ), que solicitou esclarecimentos ao desembargador responsável pelas manifestações realizadas durante a sessão.
O procedimento instaurado pelo órgão tem como objetivo analisar as circunstâncias do ocorrido e verificar a compatibilidade dos atos praticados com a legislação vigente, especialmente as disposições previstas no Código de Processo Civil (CPC) e no Estatuto da Advocacia.
A medida não representa conclusão ou julgamento sobre os fatos, mas busca reunir informações para subsidiar eventual análise por parte da Corregedoria Nacional.
Debate sobre inteligência artificial chega ao Judiciário
O caso também reacende uma discussão cada vez mais presente nos tribunais brasileiros: os limites éticos e jurídicos da utilização de ferramentas de inteligência artificial por operadores do Direito.
Com a crescente adoção dessas tecnologias na elaboração de peças processuais, pesquisas jurídicas e organização de informações, especialistas defendem que o uso das ferramentas deve ocorrer de forma responsável, transparente e sob supervisão humana, garantindo a veracidade das informações apresentadas à Justiça.
A controvérsia envolvendo o advogado tocantinense ocorre em um momento em que tribunais, órgãos de controle e entidades de classe em todo o país discutem regras e parâmetros para a utilização da inteligência artificial no ambiente jurídico.
OAB diz que seguirá acompanhando o caso
O presidente da OAB Tocantins, Gedeon Pitaluga, afirmou que o respeito à autonomia da entidade na regulamentação, fiscalização e eventual punição ético-disciplinar dos profissionais é indispensável para garantir a independência da advocacia e a segurança jurídica prevista no ordenamento brasileiro.
A Ordem informou que continuará acompanhando o caso por meio de sua estrutura de defesa das prerrogativas, observando os desdobramentos do procedimento e as providências que venham a ser adotadas pelos órgãos competentes.