Ouro, esmeraldas e minerais

Com projetos bilionários, Tocantins se firma como nova fronteira da mineração no Brasil

Estado tem 117 empresas em atividade, gerando mais de 4 mil empregos.

Por Redação 5.275
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12/03/2026 08h40 - Atualizado há 1 mês
Tocantins registra crescimento de 17% na arrecadação mineral em 2025

Notícias do Tocantins - O setor mineral do Tocantins vem se consolidando como um vetor estratégico de desenvolvimento econômico, com expansão da produção, crescimento da arrecadação e geração de empregos. De acordo com a Agência Nacional de Mineração (ANM), o estado movimentou R$ 2 bilhões em 2025, com destaque para a extração de ouro, esmeraldas, calcário, fosfato, gipsita, ferro, manganês, quartzo, granada e materiais para construção civil.

A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) também registrou crescimento: R$ 35,42 milhões em 2025, um aumento de 17% em relação aos R$ 30,28 milhões de 2024. Ao todo, o Tocantins conta com 117 empresas em operação, sendo 39 diretamente ligadas ao setor mineral, responsáveis por mais de 4 mil empregos e com investimentos projetados em R$ 4 bilhões até 2027. Municípios como Monte do Carmo e Almas destacam-se pelo impacto econômico local, impulsionado pela atividade mineradora.

Governo fortalece setor mineral

Para consolidar esse crescimento, o Governo do Tocantins adotou ações estratégicas voltadas à mineração, incluindo a criação do Grupo de Trabalho Interinstitucional de Desenvolvimento Mineral (GT Minerato), coordenado pela Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Serviços (Sics). O grupo reúne órgãos estratégicos do governo para integrar políticas públicas, ampliar a competitividade do setor, reforçar a segurança jurídica e atrair novos investimentos.

O governador Wanderlei Barbosa destacou que o objetivo é organizar a mineração de forma sustentável e gerar oportunidades para a população. “O Tocantins tem um grande potencial mineral e o nosso compromisso é estruturar o setor com segurança jurídica e desenvolvimento econômico, criando oportunidades para toda a população”, afirmou.

Entre as iniciativas do governo está também o primeiro curso técnico em mineração do estado, voltado à formação de mão de obra especializada para atender à demanda crescente do setor.

Distribuição de recursos e impacto municipal

Em 2025, os municípios tocantinenses receberam R$ 18,78 milhões em CFEM. Almas lidera com R$ 8,42 milhões distribuídos, seguida por Bandeirantes do Tocantins (R$ 2,97 milhões), Xambioá (R$ 1,90 milhão), Natividade (R$ 1,30 milhão) e Taguatinga (R$ 781 mil). O valor arrecadado reflete o potencial local de mineração e o impacto direto na economia municipal, incluindo geração de empregos e fortalecimento de cadeias produtivas.

No comércio exterior, o ouro é o principal vetor mineral do estado. No primeiro bimestre de 2025, foram exportados 374 kg do metal, com faturamento de US$ 30,72 milhões. No acumulado do ano, o Tocantins registrou US$ 3,048 bilhões em exportações totais, sendo que o ouro respondeu por 1,9 tonelada exportada e 6,5% das vendas externas.

Estrutura do setor e incentivos

O Tocantins possui 119 requerimentos de lavra garimpeira, 92 autorizações de pesquisa, 812 cessões de direito e 112 licenciamentos, além das 117 empresas em operação. Para estimular o setor, o governo oferece incentivos fiscais por meio do Programa de Industrialização Direcionada (Proindústria), visando atrair e instalar novas indústrias relacionadas à mineração.

O GT Minerato, criado por decreto em fevereiro de 2026, integra órgãos como PGE, Sefaz, Semarh, Seplan, Ameto, Naturatins e Mineratins, com o objetivo de fortalecer o setor, aprimorar o ambiente regulatório e ampliar a competitividade, sempre respeitando critérios de segurança ambiental e social.

O secretário Milton Neris ressaltou: “Estamos estruturando uma agenda que combina planejamento, previsibilidade e segurança jurídica, garantindo que a mineração avance de forma sustentável e gere emprego, renda e oportunidades concretas para a população.”

Capacitação profissional

O governo lançou um curso técnico em mineração com 420 vagas distribuídas em 14 municípios, em parceria com o Instituto Federal do Tocantins (IFTO). Com duração de 18 meses, o curso combina teoria e prática em três módulos de qualificação: Operador de Mina; Amostrador e Beneficiador de Minérios; e Máquinas Pesadas e Equipamentos de Mineração, preparando profissionais para atender à demanda do setor.

Projetos estratégicos: Monte do Carmo e Almas

O Projeto Monte do Carmo, da Hochschild Mining, representa um investimento de US$ 250 milhões (R$ 1,4 bilhão), com capacidade de gerar até 2 mil empregos diretos e indiretos. A iniciativa abrange 82 mil hectares de concessões minerais, infraestrutura estratégica e estudos avançados de exploração, pesquisa geológica e testes metalúrgicos, consolidando o Tocantins como nova fronteira mineral do país.

Em Almas, considerada a “capital do ouro”, a empresa Aura Minerals mantém projeto em operação, gerando empregos, qualificando mão de obra e dinamizando a economia local. A cidade também abriga o curso técnico em mineração da Escola Estadual Girassol de Tempo Integral Agropecuário, voltado à formação prática de jovens em atividades ligadas à mineração e sustentabilidade.

Estudantes como Luma Silva Avelar e Rhaylla Rodrigues Ribeiro da Silva, de 15 anos, relatam que o curso tem ampliado suas perspectivas profissionais, com aulas teóricas, práticas em laboratório e visitas técnicas às mineradoras. Paralelamente, a escola desenvolve projetos socioambientais de reflorestamento e preservação de nascentes, alinhando a mineração ao desenvolvimento sustentável da região.

Potencial e perspectivas

Com novos investimentos em fase de implantação, qualificação profissional e políticas públicas integradas, o Tocantins se consolida gradualmente como uma nova fronteira mineral no país, com impactos significativos na geração de emprego, renda e desenvolvimento socioeconômico de municípios estratégicos e do estado como um todo.

Setor mineral impulsiona a economia do Tocantins
No município de Almas, a Aura Minerals movimenta a economia da região
Professor Arialdo Castro explica que o projeto de reflorestamento protege nascentes

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