Saúde Pública

Dia da luta antimanicomial terá ato na Praça dos Girassóis e em diversas cidades do Tocantins

Ato integra agenda nacional e deve reunir instituições, usuários e trabalhadores da saúde.

Por Redação
Comentários (0)

11/05/2026 09h55 - Atualizado há 1 mês
Ato na Praça dos Girassóis marcará Dia Nacional da Luta Antimanicomial

Notícias do Tocantins - No próximo dia 18 de maio, às 16h, Palmas será palco de um ato público na Praça dos Girassóis, nas proximidades do Monumento aos 18 do Forte, em alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial. A mobilização integra uma agenda nacional e ocorrerá simultaneamente em diversos municípios. No Tocantins, cidades como Araguaína, Gurupi, Miracema, Colinas, Paraíso do Tocantins, Dianópolis, Formoso do Araguaia, Sítio Novo, São Miguel do Tocantins, Axixá, Maurilândia e Itaguatins também desenvolvem ações ligadas ao movimento.

Mais do que uma data simbólica, o 18 de maio representa um marco histórico de resistência. A origem remete ao Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental, realizado em 1987, na cidade de Bauru, que impulsionou a luta por mudanças no modelo de atenção à saúde mental no país. Desde então, o movimento antimanicomial denuncia violações de direitos e defende um cuidado em liberdade, baseado na dignidade, na cidadania e nos direitos humanos.

Essa trajetória está diretamente associada à consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) e à Reforma Psiquiátrica brasileira. A Lei nº 10.216/2001 redirecionou o modelo assistencial para uma rede comunitária, territorial e aberta, rompendo com a lógica de isolamento dos antigos manicômios.

Nesse contexto, destaca-se o papel dos profissionais de enfermagem, que atuam na linha de frente da transformação do cuidado em saúde mental. No cotidiano dos serviços, esses trabalhadores contribuem para substituir práticas excludentes por abordagens baseadas no acolhimento, na escuta e no respeito à singularidade dos usuários.

Em Palmas, o ato será organizado por uma articulação que reúne instituições públicas, sociedade civil, entidades de ensino e usuários dos serviços de saúde mental, incluindo CAPS, ULBRA, UNITINS, Unitop, Unicatólica, UFT, conselhos de direitos, sindicatos, centros acadêmicos e trabalhadores da área. A mobilização busca ampliar a visibilidade do tema e dar voz a usuários historicamente silenciados.

A programação prevê espaço para escuta, relatos e mobilização social. Usuários poderão compartilhar experiências, apontar dificuldades no acesso aos serviços e denunciar violações ainda presentes no cotidiano. Ao mesmo tempo, o ato reafirma a defesa de um atendimento público digno, efetivo e inclusivo.

Cartazes com mensagens como “Manicômio nunca mais”, “Trancar não é tratar” e “Cuidar em liberdade” devem marcar a mobilização, reforçando o combate ao estigma e propondo uma nova compreensão sobre o sofrimento mental.

O evento também se propõe a ampliar o debate público sobre a realidade da saúde mental no Tocantins. Estarão em pauta os avanços da Reforma Psiquiátrica, além de desafios como a ampliação dos serviços, o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial e a necessidade de respostas mais efetivas para populações em situação de vulnerabilidade.

Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo. No Brasil, estima-se que aproximadamente 70 milhões enfrentam algum tipo de sofrimento psíquico. Informações do Ministério da Saúde apontam ainda cerca de 23 milhões de brasileiros com depressão e quase 19 milhões com ansiedade, evidenciando a dimensão do problema.

No Tocantins, um dos principais desafios é a diferença entre a demanda crescente e a capacidade de atendimento da rede pública. Dados da Secretaria de Estado da Saúde apontam aumento de 40,2% nos atendimentos realizados pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em 2025, indicando pressão sobre os serviços.

Diante desse cenário, a mobilização também reforça o combate à psicofobia — o preconceito contra pessoas em sofrimento psíquico — destacando que o estigma agrava o problema e dificulta o acesso ao cuidado.

Como encaminhamento do ato, será proposta a criação de um Coletivo de Luta Antimanicomial em Palmas, com atuação permanente na defesa dos direitos das pessoas em sofrimento mental. A iniciativa prevê a realização de reuniões periódicas e ações voltadas ao fortalecimento da participação social, apoio aos CAPS e promoção de práticas de cuidado mais humanizadas.

Mais do que uma mobilização pontual, o 18 de maio reafirma um compromisso coletivo: a construção de uma sociedade sem manicômios — não apenas em sua forma física, mas também nas práticas e na forma de lidar com a saúde mental.

Serviço

Data: 18 de maio

Horário: 16h

Local: Praça dos Girassóis (parte sul, próximo ao Monumento aos 18 do Forte) – Palmas/TO

Evento: Ato da Luta Antimanicomial

Participação: aberta à comunidade

Comentários (0)

Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

(63) 3415-2769
Copyright © 2011 - 2026 AF. Todos os direitos reservados.