Indústria reduz impacto ambiental, preserva o Cerrado e ainda gera créditos de carbono.
Notícias do Tocantins - Uma indústria do interior do Tocantins vem chamando atenção por transformar um dos processos mais poluentes da construção civil em um modelo de baixo impacto ambiental. Em Cristalândia, a Cerâmica Reunidas consolidou um sistema produtivo que reduz emissões, reaproveita resíduos e ainda gera receita com créditos de carbono — um conjunto de práticas ainda incomum no setor de cerâmica vermelha.
Fundada em 1º de fevereiro de 1997, a empresa familiar promoveu uma mudança estrutural ao substituir a lenha nativa pela casca de arroz no processo de queima dos tijolos — etapa considerada a mais crítica em termos ambientais na produção cerâmica. A decisão exigiu adaptação tecnológica nos fornos e reorganização da cadeia de abastecimento, mas trouxe ganhos expressivos: mais de 100 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) deixaram de ser emitidas e cerca de 12 mil metros cúbicos de madeira nativa deixaram de ser consumidos, reduzindo a pressão sobre o Cerrado.
A matéria-prima alternativa, antes tratada como resíduo da cadeia do arroz, passou a ter valor econômico dentro do processo produtivo. Ao evitar o apodrecimento da casca — que liberaria metano, um gás com alto potencial de aquecimento global —, a empresa também contribui para a mitigação de outro importante agente do efeito estufa.
O modelo adotado incorpora ainda práticas de economia circular. As cinzas geradas na queima são reinseridas no ciclo produtivo e parte delas é destinada a produtores rurais, sendo utilizada como insumo agrícola. Com isso, a empresa reduz desperdícios e amplia o aproveitamento de materiais que antes seriam descartados.
O desempenho ambiental da Cerâmica Reunidas garantiu reconhecimento internacional. A empresa possui certificação VCS (Verified Carbon Standard), emitida pela organização Verra, que valida projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa. Desde 2007, a indústria também atua na comercialização de créditos de carbono de eficiência energética, inserindo o Tocantins em um mercado global que remunera práticas sustentáveis.
Além da operação industrial, a atuação da empresa inclui iniciativas de conscientização ambiental com colaboradores, ações de plantio de mudas e participação em atividades acadêmicas. Representantes da cerâmica têm realizado palestras sobre sequestro de carbono e sustentabilidade em instituições como a Universidade Federal do Tocantins (UFT), contribuindo para a formação de novos profissionais.
No aspecto produtivo, a empresa mantém rigor técnico, com fabricação de tijolos dentro das normas da ABNT, conciliando qualidade e responsabilidade ambiental. A estratégia tem permitido à Cerâmica Reunidas ampliar competitividade sem abrir mão de práticas sustentáveis.
A experiência ganhou visibilidade nesta terça-feira (5), durante visita do secretário estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Marcello Lelis. A agenda institucional teve como objetivo destacar iniciativas que conciliam desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
“Nosso propósito é contar histórias como essa para todo o Tocantins. Queremos mostrar que é possível produzir com sustentabilidade e inspirar outras empresas a seguirem esse caminho”, afirmou o secretário.
O sócio-proprietário Edilberto Rocha ressaltou que o projeto vai além dos resultados empresariais. “Que possamos colher os frutos daqui para frente, não só para nós, mas que a nossa atitude sirva de exemplo para outras empresas e contribua para deixar o meio ambiente mais limpo para nossos filhos e netos”, disse.
A visita também reforça uma estratégia do poder público de dar visibilidade a práticas bem-sucedidas, numa tentativa de estimular a replicação de modelos sustentáveis em outros setores da economia tocantinense.