Exame da OAB reprovou 82,5% dos candidatos inscritos nos últimos quatro anos, aponta FGV

Por Redação AF
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24/11/2014 07h33 - Atualizado há 2 meses
<span style="font-size:14px;">O Exame de Ordem da OAB (Ordem de Advogados do Brasil) reprovou 8 a cada 10 candidatos inscritos desde 2010. A taxa de reprova&ccedil;&atilde;o &eacute; de 82,5%, segundo estudo feito pela FGV Projetos, atual respons&aacute;vel pela organiza&ccedil;&atilde;o do exame.<br /> <br /> O levantamento mostra ainda que, a fim de obter a carteira que permite pleno exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o, os bachar&eacute;is em Direito chegam a se inscrever 12 vezes para fazer a prova.<br /> <br /> O estudo usou dados de candidatos do 2&deg; exame de ordem unificado, aplicado em 2010, ao 13&deg;, aplicado no primeiro semestre de 2014. Nos 12 exames, houve 1.340.560 inscri&ccedil;&otilde;es &ndash; apenas 234,3 mil candidatos foram aprovados.<br /> <br /> Para cada exame, a taxa de aprova&ccedil;&atilde;o variou entre 11,4% (9&deg; Exame) e 28,1% (10&deg; Exame). Segundo o estudo, a varia&ccedil;&atilde;o reflete diferen&ccedil;as no conte&uacute;do e no grau de dificuldade da prova, e tamb&eacute;m na qualidade de forma&ccedil;&atilde;o dos estudantes.<br /> <br /> &quot;Depois que o exame foi unificado o que aconteceu foi o aprimoramento na elabora&ccedil;&atilde;o das provas e o consequente incremento do n&iacute;vel de exig&ecirc;ncia&quot;, afirma Jo&atilde;o Aguirre, coordenador dos cursos para exame da OAB da LFG.<br /> <br /> <strong><u>Bachar&eacute;is chegam a fazer prova 12 vezes</u></strong><br /> <br /> O estudo aponta que do total de 1,3 milh&atilde;o de inscritos, a maior parte das candidaturas era de pessoas que refaziam a prova. Ao longo dos quatro anos, 487 mil fizeram as provas do exame, muitas mais de uma vez.<br /> <br /> Nesse per&iacute;odo, 132,6 mil candidatos fizeram a prova mais de quatro vezes. Desses, 2.094 candidatos fizeram o exame 12 vezes.<br /> <br /> Formada em Direito em uma universidade privada de Fortaleza em 2008, Emanuela Reis, de 28 anos, faz parte dessa estat&iacute;stica. Desde 2009, ela repetiu as provas do exame sete vezes.<br /> <br /> &quot;Ainda n&atilde;o passei e j&aacute; estou quase desistindo. &Eacute; muito dif&iacute;cil passar, a cada prova fica mais dif&iacute;cil. Parece que eles pioram para ganhar mais dinheiro. Os enunciados de algumas quest&otilde;es s&atilde;o d&uacute;bios, assim como tem quest&atilde;o com mais de um item correto&quot;, diz.<br /> <br /> A bacharel estima j&aacute; ter gastado cerca de R$ 1 mil com as inscri&ccedil;&otilde;es no exame.<br /> <br /> Emanuela conta que j&aacute; tentou encontrar emprego como advogada j&uacute;nior, mas, sem a carteira da OAB, n&atilde;o consegue a vaga. Enquanto isso, vende doces e salgados para obter alguma renda.<br /> <br /> <u><strong>Brasil tem 1.158 cursos de Direito</strong></u><br /> <br /> A grande taxa de reprova&ccedil;&atilde;o dos estudantes e bachar&eacute;is nos exames da OAB faz parte de um contexto em que 1 em cada 10 matriculados no ensino superior no Pa&iacute;s cursa Direito. Em 2013, os matriculados no curso somavam 769.889 alunos, segundo dados do Censo da Educa&ccedil;&atilde;o Superior.<br /> <br /> Em 2012, eram 1.158 cursos, quase o dobro do n&uacute;mero de cursos abertos em 2002 (599).<br /> <br /> Diante dessa realidade, o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (MEC) suspendeu a abertura de novos cursos em 2013 at&eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de novas regras para expans&atilde;o e regula&ccedil;&atilde;o da rede, que seriam feitas em parceria com a OAB.<br /> <br /> O ent&atilde;o ministro da Educa&ccedil;&atilde;o, Aloizio Mercadante, chegou a dizer que os cursos teriam de exigir est&aacute;gio obrigat&oacute;rio. &quot;Precisamos ter mais crit&eacute;rios para expans&atilde;o dos cursos de Direito e uma das exig&ecirc;ncias que n&oacute;s vamos fazer, entre outras, &eacute; o est&aacute;gio obrigat&oacute;rio. Ele [estudante] tem de ter um campo de pr&aacute;tica antes de se formar&quot;, disse &agrave; &eacute;poca.<br /> <br /> Segundo apurado, em abril o Conselho Federal da OAB participou de reuni&atilde;o com o MEC para debater o texto final do Marco Regulat&oacute;rio do Ensino Jur&iacute;dico no Pa&iacute;s. A proposta elaborada est&aacute; em estudo na Secretaria de Regula&ccedil;&atilde;o e Supervis&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o Superior e, depois de aprovada, deve passar ainda pelo Conselho Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o h&aacute; previs&atilde;o para publica&ccedil;&atilde;o.<br /> <br /> Procurado, o MEC n&atilde;o respondeu o n&uacute;mero de pedidos de abertura de novos cursos de Direito recebidos desde 2013. At&eacute; a publica&ccedil;&atilde;o desta not&iacute;cia, a OAB n&atilde;o respondeu aos questionamentos da reportagem.</span>
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