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Golpistas aproveitam fragilidade emocional de idosos durante pandemia; veja como evitar

Período de isolamento social deixou os idosos mais vulneráveis.

Por Redação 506
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22/09/2020 17h26 - Atualizado há 1 mês
Dona Maria Vilma recebe o carinho e atenção constante de seus familiares

O mês de março de 2020, período de anúncio do distanciamento social devido a pandemia da Covid-19, registrou considerável aumento de violências praticadas contra pessoas idosas no Brasil, segundo dados do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (MMFDH) do Governo Federal. 

Golpistas sempre agiram os contra os grupos mais vulneráveis, mas, durante o período de isolamento social, aproveitam-se da fragilidade emocional para vitimar pessoas idosas. 

De acordo com o membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), doutor em Demografia pela Universidade Federal de Minas Gerais, professor e pesquisador na área de envelhecimento e pessoas idosas, Rodrigo Arantes, além dos golpes via telefone e redes sociais, os criminosos por muitas vezes induzem as pessoas idosas a abrirem as portas de casa para falsos agentes de saúde que podem roubá-los, fazerem assinar procurações e até violenta-los.

“Aproveitando-se deste momento de menor contato social das pessoas idosas (por ficarem mais em casa em razão de pertencerem ao grupo de risco), golpistas têm praticado golpes telefonando e exigindo quantias de dinheiro por falso sequestro de um parente, por exemplo. Os idosos são um grupo populacional em que a incidência de depressão já é alta em tempos em que não se é exigido o distanciamento social, imagine nesta época em que menos relações sociais são exigidas pela pandemia. Os idosos podem estar mais tristes por não terem alguém com quem conversar, sem poder sair, e isso pode ser um ‘prato cheio’ para os golpistas”, esclareceu o pesquisador.

Miguel Viana Costa, 70 anos, conta que por várias vezes quase foi vítima de golpes aplicados por telefone. “Eles ligam, identificam-se como sendo atendentes de empresas com as quais não tenho nenhum vínculo, perguntam o nosso nome completo, a idade e depois começam a pedir informações bancárias. Moro com meus filhos e eles me orientam para não cair nesses golpes, mas penso naqueles outros idosos que não têm ajuda para lidar com isso”, disse.

A gerente da Gerência de Diversidade e Inclusão Social, Nayara Brandão, a qual está ligada a pasta do idoso na Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça, disse que esse momento de pandemia ampliou alguns problemas, como os golpes e violência contra idosos.

“Nossa Gerência está à disposição para auxiliar nas denúncias e apoiar esse grupo que por muitas vezes fica desassistidos. Devemos cuidar de quem sempre cuidou de nós. Se perceber alguma tentativa de golpe, ligue para o Disque 100 e denuncie”, concluiu.  

Dicas e cuidados para não cair em golpes

  • Nunca forneça dados pessoais pelo telefone;
  • Caso liguem falando de sequestro de membro familiar, exigindo depósitos em dinheiro, desligue imediatamente e logo após, ligue para a pessoa da família para checar a veracidade das informações.
  • Nunca abra porta para desconhecidos que dizem fazer pesquisas sobre Covid-19 ou que ofereçam qualquer ajuda;
  • Na dúvida, consulte alguém da família para discutir se é verdade ou não o que as pessoas estranhas estão dizendo (motivo pelo qual querem adentrar a casa).
  • Não aceite a ajuda de estranhos em Terminais de Autoatendimento bancário;
  • Caso precise de ajuda, peça a um funcionário do banco ou retorne com outra pessoa de sua confiança no banco.
  • Caso perceba que está sendo vítima em um golpe, chame a polícia e faça Boletim de Ocorrência (BO).

Quando o malfeitor é alguém da família?

Dados do MMFDH mostram que cerca de 75% de violências praticadas contra pessoas idosas tem por sujeito ativo alguém que faz parte do seio familiar. Desta forma, muitos idosos tendem a acobertar situações de violências sofridas para que aquele parente não seja indiciado.

“Não devemos nos calar como redes de vizinhos, amigos ou familiares próximos a idosos e denunciar sempre a violência praticada contra pessoas idosas. Canais de denúncias: Ministério Público, Conselhos de Direitos (municipais e estadual), delegacias especializadas e CRAS/CREAs dos municípios”, explicou Rodrigo Arantes.

O idoso em tempos de pandemia

Neste período de isolamento é comum que o idoso fique mais vulnerável a sentimentos como tristeza. Para amenizar tais sentimentos, é importante que os familiares estejam mais presentes, seja por vídeo ou ligação telefônica, para confortar, conversar e manter os laços sociais.

O pesquisador Rodrigo Arantes ressaltou ainda que é importante fortalecer a rede de apoio às pessoas idosas neste momento de pandemia e aumentar os cuidados. “Os idosos devem sempre tomar os cuidados amplamente divulgados na mídia ao precisar sair de casa, por exemplo, para ir ao médico ou supermercado, por exemplo: passar álcool gel, evitar aglomerações, usar máscara, distanciamento mínimo. Devem sim se resguardar no período de pandemia, mas podem e devem ser cercados de carinho e atenção”, enfatizou.

A empresária Helena Sponholz Minikovski explicou que os cuidados neste período de pandemia foram redobrados junto a sua mãe, Maria Vilma, de 79 anos. “Toda nossa família está sempre atenta para que ela não seja um alvo fácil de pessoas mal-intencionadas. É triste que esses crimes aconteçam nos dias de hoje, ainda mais contra pessoas que já entregaram tanto a nós e à sociedade. Por isso, é muito importante que todos fiquem atentos e denunciem quando perceber a ação de golpistas, sobretudo em relação aos idosos, que são alvos relativamente fáceis”, ressaltou.

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