MPTO acompanha planejamento para evitar retrocessos e assegurar atendimentos.
Notícias do Tocantins – O Ministério Público do Tocantins (MPTO) avançou, na quarta-feira (10), nas negociações que vão definir a transição dos serviços de tratamento contra o câncer no Estado. Em nova reunião com gestores da Secretaria Estadual da Saúde (SES) e do Hospital de Amor, foram alinhados detalhes fundamentais para a migração da assistência oncológica da rede pública, que deixará de ser feita no Hospital Geral de Palmas (HGP) e passará para o Hospital de Amor.
A promotora de Justiça Araína Cesárea, que conduz o acompanhamento da migração, reforçou que o objetivo central do MPTO é assegurar que nenhum paciente seja prejudicado durante a troca de estrutura. Segundo ela, o planejamento deve garantir continuidade plena dos atendimentos hoje realizados pelo HGP.
Oncopediatria no centro da discussão
Entre os temas mais sensíveis debatidos está a oncopediatria. Os gestores reafirmaram que o tratamento de tumores sólidos em crianças e adolescentes permanecerá sendo oferecido em Palmas. Já os casos de onco-hematologia — cânceres que atingem sangue, medula óssea e sistema linfático — serão inicialmente encaminhados para Goiânia.
O MPTO, no entanto, cobrou que o Estado avance no planejamento para que todo o tratamento onco-hematológico pediátrico seja realizado futuramente em Palmas, eliminando a necessidade de deslocamento das famílias para outros estados.
As garantias relativas à oncopediatria deverão constar no Termo de Referência que será firmado entre o Governo do Tocantins e o Hospital de Amor, documento que formalizará as condições para a transferência dos serviços oncológicos.
Medicamentos assegurados
Outro ponto considerado crítico é o abastecimento de medicamentos de suporte ao tratamento oncológico — essenciais para reduzir desconfortos, efeitos colaterais e garantir cuidados paliativos. A SES e o Hospital de Amor deverão manter o fornecimento contínuo desses insumos durante e após a migração.
Gestão da fila de espera
O Hospital de Amor também deverá se preparar para absorver a demanda acumulada na oncologia. Dados oficiais da SES indicam 311 pacientes na fila por consultas oncológicas, número que será incorporado ao planejamento de expansão do novo serviço.
Ajustes contínuos
A promotora Araína Cesárea lembrou ainda que o processo de mudança exigirá ajustes periódicos, especialmente quanto ao número de leitos, ao fluxo de pacientes e à demanda por tratamento fora do Estado. “Os gestores precisam estar prontos para adequações permanentes para evitar sobrecarga ou interrupções”, destacou.
Também participaram da reunião o promotor de Justiça Thiago Ribeiro Vilela e o defensor público Freddy Alejandro Solorzano Antunes.