Denúncia criminal

Influenciadora e mais oito são denunciados por esquema de jogos que movimentou R$ 20 milhões

MPTO afirma que grupo explorava apostas clandestinas, rifas e fraudes eletrônicas.

Por Redação 966
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15/08/2026 10h04 - Atualizado há 3 semanas
Influenciadora foi alvo da A Operação Tigre de Areia, em maio de 2026.

Notícias de Palmas - Uma manicure e influenciadora digital de Palmas foi denunciada pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO) sob a acusação de liderar uma organização criminosa que teria movimentado mais de R$ 20,4 milhões com jogos de azar, loterias clandestinas, fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro. Outras oito pessoas também foram denunciadas.

A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e é resultado das investigações da Operação Tigre de Areia, deflagrada em maio pela 1ª Delegacia Especializada em Investigações Criminais da Polícia Civil.

Segundo o MPTO, o grupo atuava pelo menos desde meados de 2023, principalmente em Palmas, mas também mantinha ramificações em outros estados. A estrutura teria divisão de tarefas para atrair vítimas, receber e movimentar valores e dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.

A influenciadora é apontada como peça central do esquema. De acordo com a denúncia, ela utilizava as redes sociais para divulgar plataformas clandestinas de jogos de azar, entre elas o chamado “Jogo do Tigrinho”, além de promover sorteios sem autorização.

Durante a investigação, o Ministério da Fazenda informou que a denunciada não possuía autorização para realizar promoções comerciais, rifas ou captar apostas.

Vítima teria perdido R$ 68 mil

O MPTO também atribui à influenciadora a prática de estelionato mediante fraude eletrônica. A acusação sustenta que ela divulgava anúncios com promessas de lucro e renda extra por meio de apostas e jogos online.

Um dos casos relatados na denúncia envolve uma vítima que teria recebido repetidamente mensagens e links para plataformas de apostas. Convencida pelas promessas de ganhos, ela teria acumulado um prejuízo de aproximadamente R$ 68 mil.

Segundo o Ministério Público, as perdas financeiras também teriam provocado graves consequências à saúde mental da vítima.

R$ 13,5 milhões passaram pelas contas da influenciadora

A dimensão financeira do caso é um dos principais pontos da denúncia. A análise das contas investigadas identificou movimentação superior a R$ 20 milhões.

Somente nas contas atribuídas à influenciadora, teriam sido registrados cerca de R$ 13,5 milhões em créditos entre junho de 2023 e maio de 2024.

Para o MPTO, parte dos recursos provenientes das atividades ilícitas era espalhada entre diferentes contas bancárias para dificultar o rastreamento. A denúncia menciona transferências fracionadas, empresas intermediadoras de pagamento e contas pertencentes a familiares e pessoas próximas ao grupo.

As investigações também apontaram a compra de imóveis e veículos de alto valor e o uso de uma empresa que, segundo a acusação, teria ajudado a dar aparência de legalidade ao dinheiro movimentado.

Em uma das operações identificadas, essa empresa teria transferido R$ 985 mil para a conta pessoal da influenciadora em 28 transações.

MPTO aponta divisão de tarefas

Segundo a denúncia, a influenciadora comandava a divulgação dos jogos, a captação de vítimas e a definição das rotas utilizadas para movimentação dos recursos.

Familiares, uma funcionária e outros integrantes do grupo teriam participado da dispersão e ocultação do dinheiro, utilizando contas próprias ou auxiliando nas operações financeiras.

Ao todo, nove pessoas foram denunciadas. A influenciadora responde, segundo o MPTO, por organização criminosa, com agravante pela condição de liderança, lavagem de dinheiro, estelionato mediante fraude eletrônica, exploração de jogos de azar e promoção de loterias sem autorização.

Os outros oito denunciados são acusados de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

MPTO quer perda de bens

Na ação apresentada à Justiça, o Ministério Público pede a manutenção das medidas patrimoniais já determinadas durante a investigação.

Caso haja condenação, o órgão também requer a perda dos bens que forem considerados produto ou proveito das atividades criminosas.

O MPTO ainda pede que a Receita Federal e a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda sejam comunicadas para analisar possíveis irregularidades administrativas e tributárias relacionadas ao esquema.

A denúncia ainda será analisada pela Justiça. Os acusados terão direito à defesa durante o processo, e a apresentação da denúncia pelo Ministério Público não representa condenação.

Influenciadora digital foi denunciada pelo Ministério Público do Tocantins.

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