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Opinião | Entre mandados e mandamentos: um ensaio irônico em defesa da Polícia Federal

Keslon Borges é economista e especialista em Gestão Pública

Por Colaboração do leitor
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01/07/2025 08h43 - Atualizado há 1 ano
Keslon Borges é economista e especialista em Gestão Pública

Keslon Borges | Artigo de opinião

Em um Brasil onde o político corrupto se diz perseguido, o juiz que solta é tratado como garantista e o policial que prende é acusado de praticar "excesso", sobra pouco espaço para o que realmente importa: a verdade dos fatos.

Hoje, escrevo este ensaio em solidariedade àqueles que passam anos no silêncio dos bastidores, escutando ligações, decifrando movimentações financeiras suspeitas, mapeando empresas de fachada, seguindo rastros que só os olhos bem treinados enxergam.

Sim, falo dos agentes da Polícia Federal — aqueles que trabalham tanto para desvendar esquemas que, muitas vezes, só faltam encontrar o batom na cueca. Mas quando finalmente prendem alguém, como no caso recente da prisão do prefeito de Palmas, o que ouvimos?

“Foi precipitado.”
“Faltam provas.”
“Houve abuso.”
“É perseguição política.”

É curioso: quem grita por democracia é, geralmente, o primeiro a surtar quando a lei bate à porta do aliado de estimação.

O Julgamento Salomônico Invertido

Lembro-me da história de Salomão. Diante de duas mulheres que diziam ser mães de um mesmo bebê, ele propôs cortar a criança ao meio. A verdadeira mãe, tomada de dor, preferiu abrir mão do filho a vê-lo partido. Salomão então revelou o que era justo: o bem de todos só pode ser garantido quando alguém está disposto a abrir mão da mentira.

Mas aqui no Brasil, a lógica é outra. Aqui, cortam a verdade ao meio e entregam metade ao bandido e metade ao advogado midiático.

O rei já não é sábio. O rei tem foro privilegiado.

O Circo dos Indignados Profissionais

Basta um político ser preso que o espetáculo começa. Advogados aparecem em coletiva dizendo que o cliente é “vítima de narrativas”. Deputados aliados publicam notas lamentando “o uso político das instituições”. Os puxa-sacos de plantão ligam para Brasília pedindo “articulação”. E alguns membros do Judiciário, sempre dispostos a manter o jogo como está, cuidam do “pós-venda” da operação: revogam prisões, desmontam investigações e aplicam o selo premium da "descondenação técnica".

Ah, que saudade da simplicidade de Salomão. Hoje, ele seria acusado de "sentença midiática" e teria que responder na Corregedoria por “uso excessivo da espada”.

A sociedade está cada vez mais esperta

Mas tem algo diferente agora: a sociedade está assistindo. E está de olho. Não é à toa que as pessoas aplaudem quando veem viaturas da PF na porta de prefeituras. O povo, ainda que sem acesso aos autos, sabe quem são os personagens da cidade. Conhece os padrões. Observa quem enriqueceu depois da eleição. Sabe de onde saiu aquela franquia nova, o loteamento relâmpago, o restaurante do cunhado.

A narrativa da perseguição política já não cola como antes. O que falta mesmo é um Salomão que não se venda, e uma justiça que não divida a verdade em fatias convenientes.

 Em defesa de quem age certo

À Polícia Federal, nossa solidariedade.

A vocês que trabalham em silêncio, que ouvem os absurdos antes de todos, que reconstroem esquemas complexos como quem monta quebra-cabeça com as peças faltando.

Vocês não têm a blindagem do foro, nem o conforto da toga. Mas têm algo que incomoda muito neste país: credibilidade.

Sigam firmes. Porque se há algo que ainda inspira respeito no Brasil, é quando vemos um político sendo preso por investigação técnica, não por vingança — por provas, não por suposições.

E a quem insiste em defender o indefensável, fica a dica: Quando a polícia bate na porta às 6h da manhã, não é porque alguém sonhou com isso na noite anterior. É porque alguém trabalhou por anos para provar o que vocês tentaram esconder.

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Keslon Borges | Economista e Especialista em Gestão Pública.

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