Noventena começa a contar quando o animal entra no Estado.
Notícias do Tocantins - Os pecuaristas do Tocantins devem ficar atentos à exigência de noventena pré-abate - período obrigatório de 90 dias. A Agência de Defesa Agropecuária (Adapec) reforçou as orientações sobre a regra sanitária imposta pelo Chile para a importação de carne bovina brasileira, medida considerada decisiva para manter o Estado no mercado internacional.
Em 2025, o Tocantins exportou 585,3 toneladas de carne e derivados ao Chile, movimentando cerca de R$ 16,28 milhões — números que podem ser comprometidos caso os produtores não cumpram rigorosamente o protocolo.
A norma determina que bovinos oriundos de áreas não habilitadas para exportação ao Chile devem cumprir noventena obrigatória antes do abate. O ponto crucial, segundo a Adapec, é que a contagem dos 90 dias começa no momento em que o animal entra no Tocantins — e não quando chega à fazenda, detalhe que exige atenção redobrada dos produtores.
Outro aspecto importante é que, se o animal já estiver em noventena e for transferido dentro do Estado, o prazo não recomeça, sendo necessário cumprir apenas o período restante. No entanto, a entrada de novos bovinos de áreas não habilitadas reinicia automaticamente a contagem para todo o rebanho, ampliando o impacto da medida dentro da propriedade.
A regra também se estende a propriedades com múltiplas explorações pecuárias — como arrendamentos, condomínios ou usufrutos —, onde um único ingresso irregular pode afetar todas as fichas sanitárias vinculadas à área, atingindo todo o conjunto de animais.
Em eventos pecuários, o controle é ainda mais rígido: a entrada de animais de áreas não habilitadas é bloqueada automaticamente. Caso haja liberação, os bovinos deverão cumprir a noventena desde o início na propriedade de destino.
A Adapec orienta que os produtores verifiquem cuidadosamente a Guia de Trânsito Animal (GTA), documento que indica a origem dos animais e se já estão em noventena. Quando essa condição consta na GTA, o cumprimento do período passa a ser automático e obrigatório.
Para evitar riscos, o produtor também pode solicitar o bloqueio preventivo da ficha sanitária, impedindo o recebimento de animais que exijam noventena.
“O objetivo é fornecer informações para que o produtor possa decidir com segurança sobre a aquisição dos animais”, destacou o diretor de defesa, inspeção e sanidade animal da Adapec, Márcio Rezende.
Atualmente, estão habilitados a exportar carne bovina ao Chile os estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Tocantins e Rondônia — um seleto grupo que exige rigor sanitário absoluto para manter acesso ao mercado internacional.
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