Ao todo, 24 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Palmas e Santa Tereza.
Notícias do Tocantins – A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (12), a Operação Nêmesis, uma nova ofensiva que marca o retorno dos agentes às ruas do Tocantins. Desta vez, o foco é apurar possíveis tentativas de obstrução da investigação da Operação Fames-19, que em setembro levou ao afastamento do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) por suspeitas de desvios milionários na compra de cestas básicas durante a pandemia da Covid-19.
De acordo com a PF, há fortes indícios de que investigados usaram veículos oficiais e cargos públicos para retirar e ocultar documentos e materiais de interesse das investigações, o que teria atrapalhado o andamento das apurações sobre a atuação da organização criminosa.
Ao todo, 24 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Palmas e Santa Tereza do Tocantins, por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde o inquérito tramita sob sigilo.
Entre os alvos da nova fase está novamente Wanderlei Barbosa, que está afastado do cargo desde 3 de setembro. O esquema investigado teria desviado mais de R$ 73 milhões da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas).
As apurações indicam que parte dos recursos públicos desviados, originalmente destinados à compra de cestas básicas para famílias vulneráveis, poderia ter sido usada na construção de uma pousada de luxo ligada à família do governador.
A primeira-dama Karynne Sotero Campos, ex-secretária extraordinária de Participações Sociais, também foi afastada do cargo em setembro e, assim como o marido, nega qualquer envolvimento nos fatos investigados.
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Durante as buscas desta quarta-feira, celulares e documentos foram apreendidos. A assessoria do governador afastado informou que não irá se manifestar por enquanto.
A Operação Fames-19 apura crimes de peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, frustração de licitação e formação de organização criminosa. Segundo a PF, o objetivo da Nêmesis é impedir a destruição e a ocultação de provas, além de reunir novos elementos que possam revelar a participação de outros envolvidos no esquema.
O caso segue em sigilo na Corte Especial do STJ. A Polícia Federal informou que mantém canais abertos para o recebimento de informações sobre o caso, pelo e-mail delecor.drcor.srto@pf.gov.br e pelo WhatsApp (63) 3236-5512.
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