Projeto pioneiro vai priorizar a gestão hídrica, infraestrutura, sustentabilidade e governança.
Notícias do Tocantins - Com investimento de R$ 2 milhões do Governo Federal, o sudoeste do Tocantins começou a elaborar um plano estratégico para organizar e ampliar a agricultura irrigada em sete municípios.
A iniciativa terá duração de 18 meses e pretende estabelecer ações para melhorar a gestão da água, a infraestrutura, a logística, a sustentabilidade ambiental e a inclusão dos produtores rurais.
O Plano de Desenvolvimento Sustentável do Polo de Agricultura Irrigada do Sudoeste do Tocantins foi lançado oficialmente com a participação de produtores rurais e representantes das instituições envolvidas. A Associação dos Produtores Rurais do Sudoeste do Tocantins (Aproest) será responsável pela gestão do projeto, enquanto a Universidade Federal do Tocantins (UFT) coordenará os estudos científicos.
Os trabalhos serão conduzidos pelo professor doutor Gilson Porto Júnior, da UFT, em conjunto com pesquisadores, técnicos da Aproest e representantes da cadeia produtiva. O financiamento é do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
O planejamento abrangerá Lagoa da Confusão, Dueré, Cristalândia, Santa Rita do Tocantins, Formoso do Araguaia, Pium e Sandolândia, municípios com forte presença da produção agrícola irrigada.
Entre as principais culturas contempladas estão arroz, feijão, feijão-mungo-preto e sementes de soja.
Diagnóstico vai além da produção agrícola
O plano não será limitado a um levantamento sobre as lavouras existentes. A proposta é identificar gargalos que afetam o desenvolvimento da região, como disponibilidade de água, fornecimento de energia, conservação ambiental, estradas, armazenagem e escoamento da produção.
Segundo o coordenador científico do projeto, Gilson Porto Júnior, o trabalho também buscará ampliar a participação dos diferentes setores envolvidos na agricultura regional.
“Mais que um diagnóstico científico completo dos municípios, vamos perceber as questões voltadas para o desenvolvimento tecnológico, as relações com a infraestrutura local e pensar nos processos que vão melhorar o desenvolvimento sustentável do polo de agricultura irrigada”, afirmou.
O professor destacou que produtores, comunidades e instituições serão ouvidos durante a elaboração do planejamento. “Vamos construir uma cultura de participação dos setores envolvidos, ouvir bastante e permitir o uso da voz”, acrescentou.
Projeto é pioneiro na Região Norte
De acordo com o presidente da Aproest, Wagno Milhomem, o polo do sudoeste do Tocantins é o primeiro da Região Norte reconhecido dentro dessa política nacional.
Ele afirmou ainda que o projeto tocantinense foi o primeiro, entre os 18 polos de agricultura irrigada existentes no país, a receber recursos federais para a elaboração de um plano de desenvolvimento sustentável.
A expectativa é que o documento final ajude a orientar investimentos públicos e privados, reduzir entraves enfrentados pelos produtores e ampliar a segurança para novos projetos agrícolas.
Participação de pequenos produtores e comunidades tradicionais
A elaboração do plano deverá contar com a participação de grandes, médios e pequenos produtores, agricultores familiares, indígenas, povos originários e comunidades quilombolas.
Segundo Wagno Milhomem, a inclusão dos diferentes grupos é necessária para evitar que os benefícios da expansão da agricultura irrigada fiquem concentrados em apenas uma parcela da cadeia produtiva.
“A participação de toda a cadeia produtiva vai possibilitar um desenvolvimento sustentável, inclusivo e igualitário, com infraestrutura, logística, apoio científico, tecnologia e geração de renda”, afirmou.
O presidente da Aproest também destacou que o planejamento poderá estimular a produção de alimentos e melhorar as condições para a comercialização dos excedentes produzidos por agricultores familiares e pequenos produtores.
Quatro eixos vão orientar o planejamento
O plano será estruturado em quatro pilares considerados essenciais para o desenvolvimento do polo.
Gestão hídrica
Os estudos deverão analisar as águas subterrâneas e superficiais disponíveis na região, as outorgas de uso da água, os sistemas de irrigação e drenagem e a segurança hídrica no longo prazo.
A proposta é identificar quanto de água está disponível, como ela está sendo utilizada e quais medidas serão necessárias para evitar conflitos, desperdícios ou riscos futuros à produção.
Infraestrutura
O planejamento também avaliará a capacidade da rede de energia elétrica, a possibilidade de expansão do fornecimento e o aproveitamento de fontes renováveis, como energia solar e biomassa.
Outro ponto será a estrutura de estradas, armazenagem, transporte e escoamento da produção, além das condições para o fortalecimento da agroindústria regional.
Sustentabilidade
O projeto verificará a conformidade das atividades agrícolas com a legislação ambiental e proporá medidas para garantir um uso mais ordenado do território.
As ações também deverão observar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas e buscar maior segurança jurídica para produtores e investidores.
Governança
O quarto eixo prevê a criação de mecanismos permanentes de participação e acompanhamento do polo, incluindo um comitê gestor e câmaras técnicas.
A governança será coordenada pela Aproest e deverá incluir representantes dos produtores, das instituições públicas, das comunidades tradicionais, da área científica e de outros setores ligados à produção agrícola.
Ao final dos 18 meses, o plano deverá apresentar um diagnóstico dos sete municípios, indicar as principais necessidades da região e propor ações para que a agricultura irrigada cresça com maior organização, eficiência e equilíbrio ambiental.
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