Professores em greve. Por quê?

Por Redação AF
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02/06/2015 11h40 - Atualizado há 1 mês
<u><span style="font-size:14px;">S&eacute;rgio Henrique Moura Estev&atilde;o</span></u><br /> <br /> <span style="font-size:14px;">Em v&aacute;rios estados do Brasil os professores est&atilde;o em greve. Agora chegou a vez dos professores federais. Em nosso estado, a UFT j&aacute; aderiu. Chegou a vez dos professores do IFTO? Vamos saber:<br /> <br /> Nos &uacute;ltimos anos o modelo desenvolvimentista fez com que o poder do governo federal crescesse bastante, n&atilde;o &eacute; demais lembrar que foram as institui&ccedil;&otilde;es do dinheiro federal que salvaram o Brasil da crise de 2008 &ndash; que demorou, mas agora chegou -, BNDES, Caixa Econ&ocirc;mica, Banco do Brasil e Petrobras, s&atilde;o as marcas mais conhecidas, embora existam outras tantas institui&ccedil;&otilde;es de irriga&ccedil;&atilde;o da economia, como o nosso IFTO. Um momento raro na hist&oacute;ria do Brasil, em que todos realmente deram gargalhadas, todos gozaram da prosperidade.<br /> <br /> O desequil&iacute;brio or&ccedil;ament&aacute;rio entre governos federal e estaduais foi sintom&aacute;tico, resultando numa grande press&atilde;o para a n&atilde;o reelei&ccedil;&atilde;o de Dilma em 2014. Dai uma campanha t&atilde;o agressiva e apartadora quanto o foi a de 1989! O desequil&iacute;brio de for&ccedil;as entre o poder federal e as oligarquias regionais chegou a colocar o pacto federalista em situa&ccedil;&atilde;o delicada, como pudemos ver entre as vozes raivosas anti-nordeste, anti-pobre e volta da ditadura... Em momentos de medo o esp&iacute;rito animal aparece. A gritaria tamb&eacute;m foi dos governadores, que continua em 2015.<br /> <br /> Governos federal e estaduais falidos? N&atilde;o senhor! Isso &eacute; imposs&iacute;vel, j&aacute; que a sociedade continua a pagar seus impostos. Apenas or&ccedil;amentos menores, conjugados a d&iacute;vidas maiores! Resultado: uma briga feia pelo que resta. E n&atilde;o nos restam muito, s&oacute; as migalhas. Sim, brigamos por migalhas. Aos pobres, as migalhas.<br /> <br /> Mas pode ser pior! N&oacute;s professores brigamos para n&atilde;o perdermos mais, j&aacute; que a infla&ccedil;&atilde;o achata os sal&aacute;rios. Da&iacute; tantas greves pelo pa&iacute;s a fora. Como na d&eacute;cada de 1980, as greves s&atilde;o instrumentos de corre&ccedil;&atilde;o das perdas inflacion&aacute;rias, al&eacute;m de uma lista enorme de reivindica&ccedil;&otilde;es e acordos n&atilde;o cumpridos:<br /> <br /> 1) Queremos barrar a terceiriza&ccedil;&atilde;o de professores;<br /> 2) Contra a precariza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos essenciais;<br /> 3) Pela redu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho para 30 horas dos trabalhadores t&eacute;cnico administrativos;<br /> 4) Pelo fim do ponto eletr&ocirc;nico;<br /> 5) Por uma pol&iacute;tica salarial que reponha as perdas da infla&ccedil;&atilde;o;<br /> 6) pelo direito a RSC a professores doutores e t&eacute;cnico administrativos; 6) Pelo estabelecimento da Data-base em 1&ordm; de maio;<br /> 7) Pela revoga&ccedil;&atilde;o da lei de cria&ccedil;&atilde;o do FUNPRESP;<br /> 8) Pelo &iacute;ndice linear de 27,5%;<br /> 9) Pela isonomia salarial e de benef&iacute;cios dos trabalhadores dos tr&ecirc;s poderes;<br /> 10) Pela paridade salarial entre servidores ativos, inativos e pensionistas.<br /> <br /> Se esperarmos pela piedade, a mendic&acirc;ncia &eacute; o passo seguinte. Direito n&atilde;o se ganha, se conquista! Por isso vamos ao limite da desobedi&ecirc;ncia civil, emperrando um setor do estado com a paraliza&ccedil;&atilde;o das atividades e a uni&atilde;o numa rede sindical. Temos at&eacute; agosto para entrarmos no or&ccedil;amento do ano seguinte, caso contr&aacute;rio poderemos amargar at&eacute; 2018 a pagar uma conta que n&atilde;o &eacute; nossa!<br /> <br /> *<u>S&eacute;rgio Henrique Moura Estev&atilde;o</u> &eacute; professor de hist&oacute;ria do IFTO no Campus Araguatins e membro do Sinasefe</span>
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