Recursos são destinados a produção local, qualificar e valorizar os profissionais.
Notícias do Tocantins - O Tocantins acaba de conquistar mais recursos para fomentar o setor cultural: a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) foi aprovada no edital Arranjos Regionais do Audiovisual, do Ministério da Cultura (MinC), garantindo R$ 12 milhões em investimentos diretos para impulsionar a produção audiovisual no estado.
A proposta apresentada pela Secult prevê o aporte de R$ 2 milhões do Fundo Estadual de Cultura, somados a R$ 10 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), que serão destinados ao fortalecimento das produtoras locais, à formação técnica e à valorização de talentos que representam a diversidade cultural tocantinense.
A iniciativa — promovida pela Secretaria do Audiovisual (SAV), em parceria com a Ancine e com recursos adicionais do FSA — é considerada um marco na descentralização do fomento federal. O edital, lançado em junho de 2025, amplia o alcance das políticas públicas ao permitir que estados e municípios recebam investimentos de até cinco vezes o valor do recurso local aportado, estratégia que favorece regiões historicamente menos contempladas, como Norte e Nordeste.
“Um avanço histórico para o audiovisual”, diz Secult
Para a secretária de Estado da Cultura, Regina Reis, a aprovação do projeto é simbólica e estratégica. “É um avanço histórico para o nosso audiovisual. Essa seleção comprova que o Tocantins está preparado para estruturar políticas contínuas, fortalecer produtoras locais e ampliar o acesso aos recursos federais. É uma conquista coletiva que inaugura uma nova rota de desenvolvimento cultural no estado.”
O que muda na prática
Com os recursos, o Tocantins poderá estruturar seus próprios editais e políticas públicas de fomento ao audiovisual, alinhados às diretrizes nacionais, mas construídos com base nas realidades e vocações locais.
O investimento deverá alcançar áreas como:
produção de curtas e médias-metragens;
animação e conteúdos infantis;
pesquisa, memória e formação;
atividades cineclubistas;
desenvolvimento de projetos e núcleos criativos;
circulação e difusão de obras;
incentivo à produção de jogos eletrônicos.
Segundo a analista técnica da Secult, Ana Elisa Martins, a aprovação representa uma virada de chave para o estado. “Depois de anos sem políticas estruturantes, essa seleção permite retomar o planejamento de longo prazo e recolocar o Tocantins no mapa nacional do audiovisual. É investimento real, consistente e estratégico.”
Ela destaca que haverá mais editais, bolsas de formação, apoio a festivais, oportunidades de intercâmbio e mais recursos para desenvolvimento e produção de conteúdo independente. “Isso significa menos dependência de outros estados, mais autonomia criativa e maior competitividade no mercado.”
Caminho construído com participação social
A proposta inscrita no edital foi construída a partir de consulta pública realizada em julho de 2025. Ao todo, 23 agentes do setor — entre produtores, coletivos, empresas e profissionais independentes — contribuíram com diagnósticos e sugestões.
A Secult também promoveu reuniões com representantes do mercado, entidades do audiovisual e instituições acadêmicas, além de uma audiência pública híbrida que validou o plano de trabalho.
Entre as principais demandas apresentadas pelo setor estavam:
formação técnica contínua;
fomento a curtas-metragens e projetos experimentais;
apoio a núcleos criativos;
descentralização das ações para o interior;
políticas afirmativas para mulheres, pessoas negras, indígenas e LGBTQIA+;
editais com linhas específicas para iniciantes e empresas consolidadas;
critérios que valorizem a contratação de profissionais locais.
Nova fase para o audiovisual tocantinense
Com a aprovação, o Tocantins passa a integrar um grupo de estados com condições reais de desenvolver políticas próprias de fomento, fortalecendo o setor, gerando emprego e renda e ampliando a circulação das narrativas e identidades do estado no cenário nacional.
A seleção marca o início de um ciclo de oportunidades para produtores, roteiristas, técnicos e profissionais da cultura, consolidando o audiovisual como eixo estratégico da economia criativa tocantinense.