Quem é ele?

Por Redação AF
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25/08/2014 09h04 - Atualizado há 1 semana
<span style="font-size:14px;"><u>Ricardo Gondim</u></span><br /> <span style="font-size:14px;">Escritor<br /> <br /> Quem foi o personagem que varou s&eacute;culos, agora mil&ecirc;nios, como refer&ecirc;ncia humana e encarna&ccedil;&atilde;o do Divino?<br /> <br /> O que h&aacute; de especial com o filho de uma camponesa, noiva de um carpinteiro? Esse homem s&oacute; saiu da obscuridade aos trinta anos, n&atilde;o deixou uma s&oacute; linha escrita para a posteridade. Sua mensagem, entretanto, foi t&atilde;o excelente que ao viv&ecirc;-la, homens e mulheres escapam da mediocridade.<br /> <br /> Quem na verdade foi aquele andarilho judeu que viajou pela Palestina visitando leprosos em sepulcros, acolhendo crian&ccedil;as nas pra&ccedil;as e se detendo diante do clamor dos mendigos?<br /> <br /> Quem foi o estudioso da Tor&aacute; que ousou relativizar a letra da lei para perdoar uma mulher acusada de adult&eacute;rio? De onde veio sua coragem de se incompatibilizar com a elite religiosa que dominava o templo? Por que ele n&atilde;o se acovardou diante do rei marionetado pelo imp&eacute;rio, a quem chamou de raposa?<br /> <br /> O que o tornou inspira&ccedil;&atilde;o de pescadores, a maioria iletrados e pobres? Como ele se notabilizou como o alento dos escravos, a estrela da manh&atilde; dos marginalizados e a &acirc;ncora dos escorra&ccedil;ados? Por que ele se mostrou d&oacute;cil com os pecadores e implac&aacute;vel com os religiosos?<br /> <br /> Quem era ele, de verdade?<br /> <br /> Tais perguntas varam o tempo, intrigam os historiadores, confundem os fil&oacute;sofos, perturbam as mentes mais cr&iacute;ticas.<br /> <br /> No requinte do pensamento de Rousseau, ele deveria ter sido desmascarado como mera idealiza&ccedil;&atilde;o do messias esperado pelos judeus. Na acidez do niilismo de Nietzsche, ele merecia jazer na prateleira dos falsos &iacute;dolos, que nascem da car&ecirc;ncia humana de criar muletas. Na pena odiosa dos neo-ateus, ele n&atilde;o passa de um homem perturbado com suas alucina&ccedil;&otilde;es.<br /> <br /> As quest&otilde;es insistem. O que faz com que ele continue amado por milh&otilde;es? Tema da can&ccedil;&atilde;o de ninar sussurrada pela m&atilde;e quando embala o filho. Argumento que anima o dependente qu&iacute;mico a sair do v&iacute;cio. Anseio nos l&aacute;bios do favelado da &Iacute;ndia, na can&ccedil;&atilde;o do negro dos Estados Unidos, no grito de liberdade do imigrante fatigado.<br /> <br /> Ele &eacute; Jesus, o nazareno, o filho do homem, o amigo dos pecadores, a pedra de esquina, o cordeiro.<br /> <br /> Na antiguidade, v&aacute;rias religi&otilde;es contaram lendas e transmitiram mitos sobre a visita de algum Deus. Quando se tomou conhecimento que o Verbo se fazia carne e que Deus nascia entre homens e mulheres, a hist&oacute;ria n&atilde;o era in&eacute;dita. Babil&ocirc;nicos, gregos e romanos tinham vers&otilde;es semelhantes.<br /> <br /> Jesus, entretanto, contradisse os precedentes hist&oacute;ricos por sua pobreza. Ele n&atilde;o veio Tit&atilde;, her&oacute;i. Seu nascimento se deu em meio &agrave; d&uacute;vida e inquieta&ccedil;&otilde;es de seu pr&oacute;prio pai. Jos&eacute;, temeroso e incr&eacute;dulo, precisou que um anjo o ajudasse a aceitar o ineditismo da situa&ccedil;&atilde;o.<br /> <br /> Deus chorou numa noite qualquer, que jamais conseguiremos cravar no calend&aacute;rio. Apenas um punhado de pastores notou seu ber&ccedil;o numa manjedoura.<br /> <br /> Na inf&acirc;ncia, Jesus foi exilado no Egito. Em algum campo de refugiados, certamente sem &aacute;gua e com um m&iacute;nimo de comida, o menino sofreu como qualquer um. Depois, passou a maior parte de sua exist&ecirc;ncia no mais absoluto anonimato. Na vida, partilhou o cotidiano penoso de seus conterr&acirc;neos. Sem precisar ostentar for&ccedil;a, enfrentou as agruras de uma sociedade injusta sem se valer de poderes sobrenaturais. Ele n&atilde;o nasceu sabendo, mas aprendeu no que sofreu.<br /> <br /> Deus se fez gente n&atilde;o para se impor, n&atilde;o para se exibir, n&atilde;o para reivindicar nada, n&atilde;o para coagir. Ele participou de nossa humanidade como um igual. Em nosso ambiente, conviveu tanto com nossa dor como com nossa alegria.<br /> <br /> Deus abriu m&atilde;o das epifanias espetaculares. Entre n&oacute;s, n&atilde;o quis reivindicar uma religi&atilde;o superior, mas construir seu tabern&aacute;culo no cora&ccedil;&atilde;o das pessoas. Ele entrou na hist&oacute;ria para que saibamos: antes de buscarmos a Deus, ele nos busca primeiro.<br /> <br /> Ele instruiu seus seguidores a n&atilde;o ador&aacute;-lo, apenas imit&aacute;-lo. Eles n&atilde;o precisam coloc&aacute;-lo em um pedestal, mas perceb&ecirc;-lo no rosto de que tem fome, sede, e est&aacute; nu.<br /> <br /> Quando Deus desejou falar conosco, fez-se gente. Jesus &eacute; a met&aacute;fora divina que se humanizou, a poesia celestial que se vertebrou, o verso deslumbrante que se adensou e a m&uacute;sica delicada que se encarnou. Agora podemos tratar Deus como Emanuel &ndash; aquele que est&aacute; conosco.</span>
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