Dença pode evoluir durante anos sem apresentar sintomas.
Notícias do Tocantins - O Tocantins registrou 8.129 casos de hepatites virais entre 2000 e 2024, além de 272 mortes relacionadas à doença no mesmo período. Os dados mais recentes do Ministério da Saúde revelam um problema que pode avançar durante anos de forma silenciosa e provocar danos graves ao fígado antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas.
A hepatite A lidera as notificações no estado, com 5.164 casos, o equivalente a cerca de 63,5% do total. Em seguida aparecem a hepatite B, com 2.381 registros, e a hepatite C, com 552. Também foram confirmados 15 casos de hepatite D e 17 de hepatite E.
Embora a hepatite A concentre a maior quantidade de diagnósticos, as formas B e C representam a maior preocupação em relação às complicações e à mortalidade. Juntas, elas estão relacionadas a 244 das 272 mortes contabilizadas no Tocantins, quase 90% do total.
A hepatite B aparece associada a 149 óbitos, enquanto a hepatite C soma 95. A hepatite A está relacionada a 19 mortes e a hepatite D, a nove.
Doença pode permanecer anos sem apresentar sintomas
Um dos principais desafios no enfrentamento das hepatites virais é a evolução silenciosa da infecção. A pessoa pode manter uma rotina aparentemente normal enquanto o vírus compromete progressivamente o fígado.
As hepatites B e C podem se tornar crônicas e evoluir para cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado. Em situações mais graves, o paciente pode precisar de transplante.
Por causa da ausência de sintomas nas fases iniciais, parte dos diagnósticos ocorre somente quando a doença já apresenta complicações.
Em todo o Brasil, foram confirmados mais de 826 mil casos de hepatites virais entre 2000 e 2024. A hepatite C responde por 342.328 notificações, cerca de 41,5% do total. A hepatite B aparece em seguida, com 302.351 casos, e a hepatite A soma 174.977 registros.
Tocantins recebeu mais de 20 mil testes
Para ampliar a identificação das infecções, o Ministério da Saúde intensificou a distribuição de testes rápidos. Até maio de 2026, a gestão estadual do Tocantins havia recebido 20.675 testes para hepatite C.
A testagem é considerada essencial porque permite identificar a presença do vírus antes que o fígado apresente danos mais graves. Os testes para hepatites B e C são disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.
Para a infectologista Cláudia Vidal, consultora da Organização Nacional de Acreditação, a ampliação do acesso aos exames pode contribuir para reduzir diagnósticos tardios. “O aumento na distribuição de testes rápidos é um passo decisivo para mudar esse cenário. Quanto mais pessoas puderem fazer o exame, maiores serão as chances de descobrir a infecção antes que o fígado apresente danos irreversíveis”, afirma.
Segundo a especialista, pessoas que apresentarem cansaço, febre, indisposição, náuseas, vômitos, dor abdominal, urina escura, fezes claras ou coloração amarelada na pele e nos olhos devem procurar atendimento médico.
A ausência desses sintomas, no entanto, não significa que a pessoa esteja livre da infecção.
Transmissão varia conforme o tipo de hepatite
As formas de transmissão dependem do vírus. A hepatite A está relacionada principalmente ao consumo de água ou alimentos contaminados e ao contato com objetos ou superfícies em condições inadequadas de higiene.
A elevada quantidade de casos desse tipo no Tocantins reforça a importância de medidas de saneamento básico, higiene pessoal, segurança dos alimentos e vacinação.
As hepatites B e D podem ser transmitidas pelo contato com sangue e outros fluidos corporais, em relações sexuais sem preservativo e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. A vacinação é a principal forma de prevenção contra a hepatite B.
A hepatite C é transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado. Entre as situações de risco estão o compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear e alicates de unha, além da utilização de materiais não esterilizados em tatuagens e piercings.
Não existe vacina contra a hepatite C, mas a doença possui tratamento disponível no SUS e pode ser curada na maioria dos casos. “A vacinação, o uso de preservativos, o não compartilhamento de objetos perfurocortantes e os cuidados com higiene e saneamento são estratégias fundamentais para reduzir novos casos. A informação continua sendo uma das principais ferramentas de prevenção”, destaca Cláudia Vidal.
Hepatites ainda causam mais de 1 milhão de mortes
O enfrentamento das hepatites também permanece como um desafio mundial. Em 2024, cerca de 1,3 milhão de pessoas morreram em decorrência de complicações associadas às hepatites B e C, responsáveis pela maior parte das mortes provocadas pelas formas virais da doença.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o ritmo atual de diagnóstico e tratamento ainda é insuficiente para alcançar a meta de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.