Ministro Carlos Fávaro reconheceu os impactos da taxação norte-americana.
Notícias do Tocantins - Com cerca de US$ 25 milhões em carne bovina exportados aos Estados Unidos apenas entre janeiro e junho deste ano, o Tocantins pode sofrer um duro golpe com o novo tarifaço de 50% anunciado pelo governo norte-americano. A medida atinge diretamente um dos setores mais estratégicos da economia estadual e acendeu o alerta entre autoridades tocantinenses e lideranças do agronegócio.
Diante do risco de retração no comércio exterior, o governador Wanderlei Barbosa se reuniu nesta quarta-feira (6), em Brasília, com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, para discutir alternativas. O foco da conversa: evitar perdas milionárias e abrir novos mercados para a carne tocantinense, que representa cerca de 60% das exportações do Estado para os EUA.
“Estamos em busca de novos mercados para compensar as perdas que o nosso estado poderá ter com essa taxação. Trabalhamos por soluções que auxiliem nossos produtores rurais e pecuaristas, e contamos com o apoio do Governo Federal nessa missão”, afirmou o governador.
Nova geopolítica do agronegócio
O ministro Carlos Fávaro reconheceu os impactos da taxação norte-americana, mas garantiu que o Governo Federal já está em campo, ampliando a lista de parceiros internacionais. Segundo ele, o Brasil hoje exporta carne para 160 países, com destaque para Coreia do Sul, Vietnã, Turquia e Japão, que juntos absorvem 30% das vendas externas do setor.
Fávaro também destacou que o México pode se tornar um destino estratégico nas negociações em andamento. “Estamos atuando para que mais produtos, como carne bovina, pescado e café, fiquem de fora da taxação. A medida ainda não está confirmada, mas acreditamos que haverá pressão interna nos Estados Unidos, inclusive por conta do impacto inflacionário que ela pode causar por lá”, afirmou.
Monitoramento e rastreabilidade
Uma das recomendações do ministro aos produtores tocantinenses foi o reforço na rastreabilidade do rebanho, com foco em mercados exigentes como o europeu. “Muitos países só compram carne de áreas sem desmatamento. Por isso, sugerimos que os pecuaristas do Tocantins invistam na adoção de chips nos animais, pois essa medida tem se tornado cada vez mais relevante”, alertou Fávaro.
Setor produtivo cobra atenção ao Tocantins
O presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas do Tocantins (Sindicarnes) e da Cooperfrigu, Oswaldo Stival Júnior, que acompanhou a comitiva tocantinense, elogiou o empenho do governo federal, mas pediu atenção especial ao Estado. “A inclusão de frigoríficos do Tocantins nessas novas parcerias, aliada a eventuais compensações fiscais em estudo pelo Governo Federal, trará segurança aos nossos produtores para que continuem produzindo, sabendo que contarão com apoio neste momento delicado”, afirmou.
Articulação política
Além do governador e do ministro, participaram da reunião o senador Eduardo Gomes; os deputados federais Antonio Andrade e Alexandre Guimarães; o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Amélio Cayres; o deputado estadual Luciano Oliveira; o secretário de Estado da Comunicação, Márcio Rocha; o secretário de Indústria, Comércio e Serviço, Carlos Humberto Lima; e o secretário extraordinário de Representação do Tocantins em Brasília, Carlos Manzini Júnior.