Diabetes é uma doença crônica causada pela falta de insulina ou pela dificuldade do organismo em utilizá-la adequadamente.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recentemente proibiu a comercialização do suplemento “Insupril”, um produto divulgado como cura milagrosa para diabetes.
A decisão veio após a circulação de um vídeo nas redes sociais que alegava falsamente que a doença seria causada por bactérias e poderia ser tratada com este suplemento. Além de não possuir registro na Anvisa, o produto violava regulamentações por prometer uma cura inexistente.
Diabetes não tem cura: entenda os riscos
O diabetes é uma doença crônica causada pela falta de insulina ou pela dificuldade do organismo em utilizá-la adequadamente. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, cerca de 20 milhões de brasileiros vivem com essa condição, que se divide em dois principais tipos:
Diabetes Tipo 1: ocorre quando o sistema imunológico ataca as células produtoras de insulina. O tratamento requer aplicações diárias de insulina.
Diabetes Tipo 2: relacionado à resistência à insulina, é geralmente associado à obesidade e ao envelhecimento. Pode ser controlado com medicamentos, mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, insulina.
É fundamental entender que a doença não tem cura, mas pode ser controlada com tratamentos cientificamente comprovados. Suspender medicamentos para aderir a produtos não regulamentados é extremamente perigoso e pode levar a complicações graves, como coma ou até mesmo óbito.
Suplementos milagrosos: um mercado de falsas promessas
O “Insupril” é apenas um exemplo de como empresas exploram a vulnerabilidade de pacientes crônicos. Divulgado como um suplemento alimentar, o produto prometia curar o diabetes sem apresentar qualquer comprovação científica ou revelar os ingredientes responsáveis pelo suposto efeito. Além disso, o site de reclamações Reclame Aqui registrou diversas queixas de consumidores sobre problemas de entrega e ineficácia do produto.
A própria página do “Insupril” alegava falsamente possuir registro na Anvisa, o que foi desmentido pela agência reguladora. Em comunicado oficial, a Anvisa reiterou que suplementos alimentares não podem ser comercializados como medicamentos ou prometer cura para condições de saúde.
Alerta de especialistas sobre desinformação
A divulgação de informações falsas sobre diabetes não é um fenômeno novo. Recentemente, a cientista Ana Bonassa, PhD em Ciências pela USP, denunciou o vídeo que promovia o suplemento. “A diabetes é grave, e não tratar pode trazer sequelas irreversíveis. É um absurdo ver pessoas usando a doença de outras para lucrarem e levando pacientes a pagarem com a própria vida”, afirmou.
Especialistas também destacam os perigos de interromper tratamentos comprovados, como o uso da metformina, amplamente prescrita para o controle da diabetes. Segundo o endocrinologista Fernando Valente, “A metformina tem mais de 60 anos de uso e é fundamental para evitar complicações graves da doença. Promover produtos não regulamentados é um ato criminoso”.
Novos tratamentos e limites da ciência
Embora a cura para diabetes ainda não exista, avanços científicos têm trazido opções promissoras para o controle da doença. Medicamentos como as canetas de semaglutida, popularmente conhecidas como Ozempic, têm mostrado eficácia na remissão temporária do diabetes tipo 2. Esses medicamentos ajudam na perda de peso e no controle glicêmico, mas, como explica o endocrinologista Levimar Araujo, “Se o paciente voltar a engordar, o diabetes pode retornar”.
Portanto, é essencial que pacientes confiem em tratamentos cientificamente respaldados e não em soluções milagrosas que podem colocar sua vida em risco.
Como identificar promessas fraudulentas
Para se proteger de fraudes como o “Insupril”, fique atento aos seguintes sinais:
Promessas de cura definitiva: nenhuma doença crônica tem cura comprovada através de suplementos.
Falta de registro em órgãos reguladores: verifique se o produto é aprovado pela Anvisa.
Preços elevados e garantia de resultados: golpistas costumam cobrar valores altos por produtos ineficazes.
Sites pouco confiáveis: páginas falsas geralmente possuem erros de gramática e oferecem descontos exagerados.
Referência: G1