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Artigo: Será que as redes socias estão adoecendo as pessoas? - Psicanalista Francisco Neto

Autor é psicanalista, escritor e professor universitário.

Por Redação
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03/10/2024 09h18 - Atualizado há 1 ano
Francisco Neto Pereira Pinto é psicanalista, escritor e professor.

Francisco Neto Pereira Pinto | Artigo  

Como você responderia à pergunta do título deste texto? Essa é uma questão que, certamente, divide opiniões, mas, pelo que já tenho ouvido, a grande maioria das pessoas estão dispostas a respondê-la com um sonoro sim. Sim, com certeza as redes sociais adoecem as pessoas, em particular os jovens, muitos diriam. As razões para esse adoecimento seriam especialmente de duas ordens: a primeira devido ao afastamento do diálogo face a face e, a segunda, à exposição maciça da vida privada. Sem querer dar spoiler, no que segue apresento opinião divergente.

O argumento de que hoje as pessoas preferem conversar pelas redes sociais ou por aplicativos de comunicação instantânea se coloca, ainda que não se tenha consciência disso, como um elogio de uma época em que as interações aconteciam sem intermediação, de maneira direta, e que, por isso, eram mais verdadeiras, honestas, sinceras, afetuosas e, portanto, de mais qualidade. A ideia, por trás do argumento, meio escondida, é que as pessoas se comunicavam mais e melhor, e que essa comunicação ajudava a evitar o adoecimento psíquico, ou emocional. As redes sociais, nesse sentido, teriam, ou estariam, arruinando esse tipo de comunicação.

Penso bastante diferente. Para início de conversa, não estou certo se esse tipo de comunicação acontecia de maneira tão efetiva em um tempo pré redes sociais, ou se, na verdade, trata-se de uma idealização de uma época mítica da comunicação interpessoal. Por outro lado, acredito que as redes sociais e os aplicativos de comunicação instantânea ampliaram as possibilidades e as oportunidades comunicativas, abrindo caminho para maior liberdade de escolha, ou seja, cada um pode escolher se quer ou não conversar, quando, com quem e, mais que isso, por que meio se comunicar. Do meu ponto de vista, essa ampliação do leque comunicativo faz mais bem que mal, e uma prova disso foi a pandemia do Covid-19: o que teria acontecido a todos nós não fossem todas essas oportunidades ofertadas pelas redes sociais?

A segunda razão estaria ligada a uma exposição exagerada, e até mesmo indecente, da vida privada. Na verdade, as pessoas sempre expuseram o que, em tese, deveria ficar no âmbito da privacidade. As conversas de bares são um bom exemplo disso. Porém, as redes sociais potencializaram e amplificaram as possibilidades de cada um falar de si, se assim desejar, quando e como quiser a partir de onde estiver, e tudo isso de maneira personalizada. Não vejo, honestamente, como e por que isso seria, em si, um problema.

Agora, há uma questão a considerar: essa maior liberdade requer, certamente, mais responsabilidade. Cabe a cada um decidir com lucidez e sabedoria sobre como usar as redes sociais. Não há dúvidas de que esse é um desafio aos pais e a todos os que cuidam da educação de jovens e crianças: ensiná-los como devem trafegar pelo ambiente virtual, incluindo redes sociais, com os mesmos cuidados, liberdade e responsabilidade com que andam pelos caminhos e descaminhos do nosso chamado mundo real.

Então, para finalizar, não acredito, particularmente, que as redes sociais estejam adoecendo as pessoas. Acredito, isso sim, que o modo como usamos as redes sociais revelam nossas fragilidades e conflitos que, independentemente das redes socias, já existem. Já estão lá. É como a relação entre doce e diabetes. A mera existência dos doces no mundo não causa diabetes em ninguém. Trata-se, no geral, do uso que a pessoa faz do doce. Posto isso, eu pergunto a você: as redes sociais, no seu caso, estão fazendo bem ou mal? O que você acha desse assunto?

Sobre o autor

Francisco Neto Pereira Pinto é psicanalista, escritor e professor. Doutor em Letras. professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Linguística e Literatura da UFNT. É autor dos livros infantis O gato Dom e Você vai ganhar um irmãozinho, que estão disponíveis na Amazon.

Siga o autor no instagram: https://www.instagram.com/francisconetopereirapinto/

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