Apesar de Moscou expressar uma disposição para negociar, a situação permanece instável.
Nesta segunda-feira (24), representantes dos Estados Unidos e da Rússia começaram uma nova fase nas negociações para um cessar-fogo parcial na guerra na Ucrânia. As conversas acontecem em Riade, na Arábia Saudita, e surgem após uma reunião entre os EUA e o governo ucraniano, que aconteceu um dia antes, em meio a intensos ataques de ambos os lados.
A principal pauta da reunião entre as duas potências é o cessar-fogo, com uma atenção especial para o mar Negro, uma área estratégica onde Rússia e Ucrânia disputam o controle de territórios, como a Crimeia. O Kremlin indicou que as negociações focarão em pontos técnicos do acordo, mas também estão abertas para discutir a trégua no mar Negro, uma proposta que visa reduzir os ataques na região.
No domingo, representantes dos EUA se encontraram com uma delegação ucraniana liderada pelo ministro da Defesa, Rustem Umerov. Umerov destacou que a reunião foi "produtiva e específica", com foco principal em questões energéticas. O enviado americano, Steve Witkoff, expressou otimismo e afirmou que espera um "progresso real" nas negociações, especialmente em relação aos ataques no mar Negro.
Enquanto a reunião acontecia, Kiev foi alvo de ataques russos com drones, que resultaram na morte de sete pessoas. Esse episódio sublinha as dificuldades e a tensão constante no terreno, com ambos os lados realizando ataques enquanto tentam avançar nas negociações de paz. No entanto, o Kremlin mostrou cautela, reduzindo as expectativas de uma solução rápida e alertando que há muitos pontos pendentes antes de um cessar-fogo ser alcançado.
Durante as negociações, um dos pontos discutidos foi a possível retomada do acordo de 2022 para a exportação de grãos pelo Mar Negro, crucial para a segurança alimentar mundial. A Rússia abandonou o acordo em 2023, após acusações de que as potências ocidentais não haviam flexibilizado as sanções contra as exportações russas. Embora a Ucrânia proponha um cessar-fogo mais amplo, incluindo ataques a instalações de energia e infraestruturas, as negociações ainda estão longe de uma conclusão definitiva.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu mais pressão internacional contra Moscou, em um apelo para que os aliados de seu país tomem novas decisões para pôr fim aos ataques e à guerra. Apesar de Moscou expressar uma disposição para negociar, a situação permanece instável, com ataques aéreos e terrestres contínuos em território ucraniano.