Educação

Jovem de 18 anos aprovada para medicina em 2 federais conta trajetória de luta e superação

Ela saiu de uma pequena cidade no interior do Tocantins.

Por Márcia Costa | AF Notícias 6.153
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16/04/2021 17h25 - Atualizado há 3 meses
Karla Ribeiro sempre foi uma aluna que se destacava no Colégio

Esforço e dedicação aos estudos sempre foram as principais qualidades da jovem Karla Ribeiro Lima, de apenas 18 anos. A ex-aluna do Colégio Militar, em Araguaína, conquistou uma excelente pontuação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem/2020) e foi aprovada para medicina em duas universidades federais.

Natural da pequena cidade de Aguiarnópolis, no norte do Tocantins, Karla foi selecionada na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, e também na Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), em Petrolina (PE).

MUDANÇA PARA ARAGUAÍNA

Ela conta que seus pais sempre a apoiaram nos estudos, principalmente na decisão de sair sozinha da pequena cidade para estudar em Araguaína, onde morava com uma amiga dividindo o aluguel.

“Eu queria fazer meu ensino médio no Colégio Militar em Araguaína, pois os CPMs são referências e o ensino é muito bom. Essa escolha foi muito importante. Eu participei do processo seletivo e fui aprovada. Daí passei a dividir o aluguel com uma amiga. Eu sempre me destaquei no ranking pedagógico, conhecido como ranking 10, mas eu queria cada vez mais me destacar”, conta a jovem.

Após concluir o ensino médio em 2018, Karla Ribeiro fez o Enem, mas sua nota não foi suficiente para ser selecionada no curso que tanto sonhava.

“Os professores sempre acreditavam em mim devido ao meu esforço. Pensavam que eu iria passar logo de primeira na faculdade. Isso foi um baque pra mim. Sempre fui uma boa aluna e porque eu estava com tanta dificuldade em passar na universidade? Mas o resultado não me desanimou e continuei insistindo”.

MUDANÇA PARA TERESINA

Após o resultado do Enem 2018, Karla decidiu procurar um bom cursinho preparatório para continuar sua luta rumo ao curso de medicina em uma universidade pública, já que sua família não tem condições de pagar uma faculdade particular.

“Fui morar em Teresina, no Piauí, sem conhecer ninguém. Lá eu fiz meu cursinho e minha rotina de estudos era bem puxada. Acordava às 6h da manhã, pegava ônibus, assistia aula até as 13h30, tinha uma hora para o almoço e voltava a estudar até as 21h de segunda a sexta-feira. Já no sábado, eu estudava até as 11h e no domingo fazia redação e treinava simulados”, relata.

RETORNO PARA AGUIARNÓPOLIS

Com a chegada da pandemia, as aulas passaram a ser de forma online e a estudante precisou voltar para sua cidade, onde começou a estudar de forma independente e a frequentar todos os dias a biblioteca de uma escola.

Depois, Karla voltou para Teresina, revisou todos os cadernos de estudos, fez a prova do Enem 2020 e conquistou uma excelente nota.

A DECISÃO POR MEDICINA

“Quando eu tinha 7 anos ganhei uma boneca dos meus pais que vinha com equipamentos médicos, eu gostava de animais e queria ser veterinária. Mas aos 12 anos, minha avó teve um câncer na cabeça, acompanhei toda a trajetória do tratamento, queria ajuda-la de alguma forma e não sabia como. Ela não resistiu. Foi aí quando eu decidi que queria cuidar de pessoas”.

APOIO DOS PAIS

Segundo Karla, algumas pessoas chegaram a dizer para seus pais que não valia a pena investir na sua educação fora da cidade, em razão dos custos financeiros e que não teriam retorno. Porém, os pais de Karla sempre acreditaram na educação como instrumento de transformação social.

“Muita gente ainda tem aquele pensamento pequeno, acreditando que não vale a pena investir na educação e chegaram a dizer para meus pais que eles estavam jogando dinheiro fora. Eu sempre tive apoio dos meus pais e isso foi extremamente importante para minha conquista. Eles foram pacientes e tinham medo, pois eu sou filha única, mas sempre acreditaram em mim”, finalizou.

Aos 18 anos Karla foi aprovada em duas Universidades Federais

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