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Segurança digital

Banco Central irá possibilitar o rastreio do dinheiro de golpes com Pix; saiba como

Até o momento, o Mecanismo Especial de Devolução recuperou R$ 459 milhões.

Por Mariana Dias 1.360
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24/06/2025 09h03 - Atualizado há 6 meses
Mecanismo Especial de Devolução (MED) visa bloquear dinheiro em casos de fraudes

O Pix transformou o cotidiano dos brasileiros desde seu lançamento em novembro de 2020, consolidando-se como o principal meio de pagamento instantâneo no país. No entanto, essa popularidade também abriu espaço para diversos golpes financeiros. Em resposta, o Banco Central (BC) lançou um recurso inédito para rastrear e bloquear recursos enviados via Pix em casos de fraude: o Mecanismo Especial de Devolução (MED). A iniciativa promete agilizar a recuperação de valores e oferecer mais segurança aos usuários.

O que é o MED e como funciona

O MED foi criado para permitir que vítimas de fraudes avancem com reclamações via bancos. O sistema inclui os seguintes procedimentos:

  1. O usuário deve registrar um pedido de devolução em sua instituição financeira em até 80 dias após a transação suspeita. Após isso:

  2. O BC avalia o caso, podendo bloquear os recursos depositados na conta suspeita em até 7 dias, se enquadrados como golpe

  3. Se faltarem fundos na conta do fraudador, o sistema admite bloqueios parciais em transações futuras, num prazo de até 90 dias da data original

  4. O BC conduzirá investigação e, em caso de confirmação de fraude, solicitará à instituição receptora a devolução total ou parcial dos valores. O processo, por ora, só contempla a primeira conta que recebeu o pix, limitando a eficiência em esquemas com múltiplas transferências .

Até o momento, o MED recuperou R$ 459 milhões, mas isso corresponde a apenas 7% do montante supostamente desviado via Pix, evidenciando limitações do sistema atual.

Por que ainda não é infalível

Apesar de ser um avanço importante, o MED enfrenta desafios significativos:

  • Alcance limitado: só rastreia a primeira conta destinatária, não acompanhando o dinheiro que segue em cadeia.

  • Desvio fragmentado: golpistas frequentemente dispersam o valor em múltiplas transferências rápidas, dificultando o rastreamento.

  • Dependência de reação rápida: o bloqueio ocorrerá apenas se houver solicitação até 80 dias após o golpe; fora desse prazo, o sistema não poderá agir.

Por isso, muitos usuários acabam sem conseguir recuperar seus fundos, mesmo com o MED em funcionamento.

MED 2.0: o que vem por aí

Com o objetivo de contornar essas falhas, o BC já planeja avanços:

  • Rastreamento de cadeias completas de transferência.

  • Bloqueio instantâneo de recursos na origem, antes que sejam movimentados.

  • Ferramenta de contestação simplificada diretamente no app dos bancos, com previsão para estar disponível até outubro de 2025 .

Essas melhorias devem compor o projeto batizado de MED 2.0, a ser implementado no 1º trimestre de 2026.

Pix: versatilidade que atrai criminosos — e negócios legítimos

O que torna o Pix tão prático – rapidez e disponibilidade 24/7 – chama a atenção tanto de golpistas quanto de empresas que utilizam o sistema corretamente. O Pix é amplamente adotado em diversas transações, como:

  • Pagamentos de compras em e-commerces, comidas, mensalidades e contas;

  • Pagamentos entre pessoas;

  • Transferências para cassinos que pagam via pix, que adotaram o Pix por sua velocidade e facilidade.

Medidas alternativas e vigilância ao envio por engano

Além de golpes diretos, muitos usuários sofrem ataques indiretos, como o “golpe do Pix por engano”: golpistas fazem parecer que enviaram dinheiro acidentalmente e pedem reembolso — quando, na verdade, não enviaram nada. Esse tipo de golpe depende da boa-fé da vítima.

Se você for vítima de um golpe:

  1. Registre contestação imediatamente.
     
  2. Se recebeu um Pix acidental, tente usar a opção “devolução” via app do banco, evitando fazer um novo Pix manual.
     
  3. Salve todas as evidências — registros, prints — para embasar sua reclamação.

Como se proteger

Para evitar cair em golpes:

Ação preventiva

Descrição

Confirme sempre a chave antes de enviar Pix

Verifique novamente CPF, telefone, e-mail ou chave aleatória.

Use o app para devolução

Evita cair em golpes que pedem Pix extra.

Cuidado com pressões

Golpistas tentam criar urgência para induzir a ação rápida.

Denuncie rápido

Quanto antes registrar pedido via banco, mais chances de MED funcionar.

Um passo adiante no combate às fraudes

O lançamento do MED é um marco, mas seu real valor só será percebido após a evolução para o MED 2.0 e a integração de ferramentas de contestação no app. Somente assim será possível mitigar significativamente os impactos dos golpes com Pix.

Nesse contexto, o Banco Central reforça sua função de guardião do sistema financeiro. Agora cabe aos usuários manter uma postura informada e vigilante, para que a conveniência do Pix continue transformando positivamente o cotidiano — sem abrir espaço para fraudes.

Revolução no Pagamento Digital Ainda Em Evolução

O Pix é uma revolução no pagamento digital — prático, instantâneo e disponível 24 horas por dia. No entanto, sua popularidade também atrai ações criminosas. O MED é uma resposta válida, mas ainda limitada. A próxima fase, com rastreamento completo e bloqueio na fonte, pode representar um avanço real no combate a fraudes.

Enquanto isso, cabe ao usuário agir com cautela: confirmar dados, evitar devoluções manuais e manter provas documentais. Isso, aliado à evolução regulatória, pode transformar o Pix em um ambiente mais seguro para os milhões que o utilizam diariamente — inclusive em segmentos como cassinos online, que contam com essa agilidade para operar com eficiência.

Com essas ferramentas e comportamentos, o Pix chega a um patamar de modernidade e confiança que reforça sua posição de protagonista no sistema de pagamentos brasileiro.

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