Saúde

Calor e temporada de praias acendem alerta para a saúde dos rins no Tocantins, diz médico

Alerta para desidratação, excesso de líquidos, consumo de sal e de alimentos ricos em potássio.

Por Redação
Comentários (0)

07/07/2026 11h55 - Atualizado há 1 semana
A partir de julho, a temperatura no Tocantins fica sempre mais alta, o verão tocantinense.

Notícias do Tocantins - Temperaturas elevadas, ar seco e praias de rio movimentadas fazem parte da rotina do Tocantins em julho. Nesse cenário, o médico nefrologista Winglerson dos Santos Cordeiro, inscrito no CRM-TO 3506 e RQE 3528, que atua na Fundação Pró-Rim no estado, faz um alerta: o calor não provoca apenas desconforto, mas também pode aumentar o risco de problemas renais, tanto em quem já possui doença nos rins quanto em pessoas com pressão alta, diabetes ou obesidade.

Um problema silencioso, mas muito comum

A doença renal crônica é considerada um dos grandes desafios silenciosos da saúde pública. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de uma em cada dez pessoas no mundo convive com algum grau da doença. No Brasil, boletins do Ministério da Saúde estimam uma prevalência de aproximadamente 6,7% entre os adultos quando são considerados critérios laboratoriais, com índices ainda maiores entre os idosos.

Isso significa que até mesmo quem nunca ouviu falar em taxa de filtração glomerular ou creatinina pode estar desenvolvendo o problema sem perceber. Segundo a Fundação Pró-Rim, hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e histórico familiar de doença renal estão entre os principais fatores de risco.

Calor intenso: desafio extra para quem já é paciente

No Tocantins, avalia o nefrologista, o clima quente e seco acrescenta uma dificuldade extra à rotina de quem já possui doença renal, especialmente dos pacientes submetidos à hemodiálise.

Segundo o médico, o corpo reage ao calor aumentando a sensação de sede, justamente quando muitos desses pacientes não podem ingerir líquidos em grande quantidade.

O clima quente do Tocantins é um grande desafio para nossos pacientes renais crônicos, principalmente os pacientes dialíticos. O calor estimula a sede, principalmente naqueles que têm restrição hídrica. A sensação de sede é maior, o consumo de líquidos aumenta e o risco de complicações hemodinâmicas também”, afirmou.

O especialista lembra que o excesso de líquido acumulado entre uma sessão de diálise e outra pode ser perigoso.

O principal desafio do dialítico no Tocantins é justamente não ingerir aquela quantidade de líquido que o organismo pede. Temos várias complicações possíveis, como edema agudo de pulmão, crise hipertensiva, risco elevado de eventos cardiovasculares e até desidratação em alguns casos de pacientes que têm limitações de movimento ou dependem de cuidadores”, destacou.

Praia, sol e sede: como se proteger

Com a temporada de praias de rio, é comum passar horas sob o sol, caminhar na areia, entrar e sair da água e consumir comidas e bebidas típicas nas barracas. Para o paciente renal, aproveitar esse momento exige planejamento e moderação.

O médico orienta que, em vez de tentar matar a sede com grandes quantidades de bebida, o paciente utilize estratégias para aliviar a sensação de boca seca e o calor sem ultrapassar o limite de líquidos definido junto à equipe responsável pela diálise.

“Orientamos sempre muita moderação ao paciente. Temos algumas formas de driblar a sede, como consumir gelo, permanecer em ambiente com ar-condicionado, usar gomas de mascar e carregar garrafinhas com o volume previamente determinado, entre outras”, informou.

Ele explica que o calor, isoladamente, não aumenta a quantidade de toxinas produzidas pelo organismo. O problema ocorre quando o paciente desrespeita a dieta ou sofre desidratação capaz de provocar alterações na circulação.

O calor em si não interfere na quantidade de escórias produzidas. O que interfere é não obedecer às orientações nutricionais. Em alguns casos, os pacientes também desidratam. Essa desidratação favorece alterações hemodinâmicas, como risco de colapso da fístula ou maior predisposição a processos infecciosos, principalmente urinários”, explicou.

A Fundação Pró-Rim reforça que as recomendações também servem de alerta para quem não é paciente renal. Controlar o consumo de sal, evitar exageros em bebidas alcoólicas e alimentos gordurosos, manter os exames em dia e observar sintomas diferentes do habitual são medidas importantes para a prevenção.

Frutas, água de coco e potássio: cuidado para quem está em diálise

Melancia, melão, abacaxi, laranja e água de coco são comuns durante a temporada de praias. Para quem faz hemodiálise, porém, o nefrologista explica que esses alimentos podem representar risco quando consumidos sem orientação, por dois motivos: a quantidade de líquido e o alto teor de potássio.

Sobre o consumo de frutas, os pacientes dialíticos devem ter muito cuidado devido à quantidade de líquidos presente principalmente em alimentos como melancia, melão, água de coco, abacaxi e laranja”, detalhou.

Além do volume de líquido, há outro ponto de atenção: o potássio. “Não podemos esquecer a quantidade de potássio existente nessas frutas. Esse potássio pode levar a complicações gravíssimas, inclusive ao óbito. Dessa forma, deve-se dar preferência a frutas que possuem menor quantidade de líquido e potássio, como maçã e morango, por exemplo”, ressaltou.

Legumes e vegetais cozidos, acrescenta o médico, também podem elevar os níveis de potássio. Por isso, seguir as orientações do nutricionista responsável pelo acompanhamento do paciente é essencial.

O sal que aumenta a sede

O sódio é outro vilão discreto nos dias quentes, aponta o nefrologista. Além de estimular a sede, ele favorece a retenção de líquidos, situação especialmente perigosa para quem possui doença renal ou problemas cardíacos. O médico cita exemplos muito presentes na alimentação dos tocantinenses.

Em relação ao sódio, sim, ele estimula a sede. Comidas como farofas, em especial a famosa farofa de carne de sol, carne seca e temperos industrializados devem ser evitadas ao máximo”, afirmou.

Ele lembra ainda que o consumo exagerado de determinados alimentos pode elevar os níveis de fósforo no organismo, trazendo consequências a longo prazo para os ossos e o sangue.

O consumo de alimentos ricos em proteínas e carboidratos aumenta de forma significativa os níveis de fósforo do organismo, levando a complicações a longo prazo na parte hematológica e óssea do paciente. Assim como as frutas, legumes e vegetais cozidos aumentam os níveis de potássio”, explicou.

Sinais de alerta: quando procurar ajuda

Tanto para quem já é paciente renal quanto para quem nunca investigou a saúde dos rins, alguns sinais, especialmente durante períodos de calor intenso, não podem ser ignorados.

Ao perceber dispneia, falta de ar, edemas pelo corpo, inchaço, aumento súbito de peso, cãibras, confusão mental, fraqueza intensa ou hipotensão, a pessoa deve procurar imediatamente um serviço de urgência”, alertou o médico.

Segundo a equipe da Fundação Pró-Rim, esses sintomas podem indicar sobrecarga de líquidos, descontrole da pressão arterial ou alterações importantes nos níveis de potássio e fósforo no sangue.

Transplantados e sol: fotoproteção obrigatória

Quem já passou por um transplante renal também precisa adotar cuidados especiais durante o período de sol intenso e a temporada de praias, alerta o nefrologista. Ele lembra que o transplante não elimina a condição de doença renal crônica.

O paciente renal crônico é classificado como renal crônico no estágio 5 transplantado. Ele não perde essa classificação após o transplante”, explicou.

O motivo está relacionado, entre outros fatores, aos medicamentos de uso contínuo. “Esse paciente deve evitar o sol e a exposição aos raios ultravioleta, por apresentar risco aumentado de câncer de pele devido ao uso dos imunossupressores. Esse paciente deve adotar fotoproteção rigorosa”, pontuou.

As recomendações do médico valem para qualquer saída de casa. “Ao sair de casa, evite a exposição direta ao sol. Use bastante creme hidratante e protetor solar. Não ingira mais líquidos do que o seu médico orientou. Evite ambientes com muitas pessoas para reduzir o risco de viroses e não fuja das restrições alimentares”, orientou.

Aproveitar a temporada de praia com responsabilidade

Nas praias e nos eventos do período, é comum que algumas pessoas tentem se refrescar com bebidas alcoólicas ou abandonem temporariamente as restrições alimentares. O alerta do nefrologista é direto.

Em nenhuma hipótese ingira bebidas alcoólicas para se refrescar ou ficar alegre”, destacou.

O especialista reforça que, diante de qualquer alteração no organismo, o paciente deve buscar atendimento médico. “Qualquer sinal de alteração no seu corpo, procure um serviço de urgência”, orientou.

Ao mesmo tempo, o médico ressalta que é possível aproveitar a temporada de praias sem colocar a saúde dos rins em risco. A chave está em manter o tratamento e respeitar as restrições estabelecidas pela equipe médica.

Fique firme, esse período vai passar. Use roupas leves e divirta-se sem fugir das restrições”, finalizou.

Comentários (0)

Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

(63) 3415-2769
Copyright © 2011 - 2026 AF. Todos os direitos reservados.