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Ciclo de Krebs da política tocantinense: quando o estado perde a capacidade de respirar

No Tocantins, a política parece ter criado seu próprio e distorcido Ciclo de Krebs.

Por Colaboração do leitor
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09/12/2025 08h36 - Atualizado há 1 mês
Keslon Borges é economista e especialista em Gestão Pública.

Keslon Borges | Economista e especialista em Gestão Pública, Fiscal de Obras e Posturas Municipais

No corpo humano, o Ciclo de Krebs é responsável por gerar energia, manter o funcionamento das células e permitir que o organismo respire. É um processo contínuo, complexo e essencial. Porém, quando algo dá errado nesse ciclo, todo o corpo sente. Falta energia, o organismo enfraquece e, aos poucos, perde sua capacidade de funcionar plenamente.

No Tocantins, a política parece ter criado seu próprio e distorcido Ciclo de Krebs. Um ciclo igualmente contínuo, igualmente repetitivo, mas ao contrário do original, não produz energia: consome. E consome muito.

A entrada de gestores: o ciclo que se reinicia, mas não evolui

Assim como o Ciclo de Krebs sempre recomeça, no Tocantins entra gestor, sai gestor, e tudo continua igual. A promessa de “fazer diferente” se transforma sempre no mesmo padrão: vaidade política, sede por poder e obsessão por recursos públicos. O combustível do ciclo não é oxigênio, é ego.

A cada mandato, o que deveria gerar desenvolvimento se transforma em um processo desgastante e exaustivo, que drena a vitalidade do Estado.

Nepotismo, fisiologismo e contratos: as reações tóxicas do sistema

No Ciclo de Krebs real, cada reação tem uma função vital. Na política tocantinense, as reações mais comuns são nocivas:

  • Nepotismo, que coloca familiares acima do mérito;

  • Fisiologismo, que transforma a máquina pública em moeda de troca;

  • Contratos políticos, que substituem servidores de carreira e desvalorizam quem realmente trabalha;

  • Alocação ineficiente de recursos, que impede investimentos onde realmente há necessidade.

Essas práticas funcionam como metabólitos tóxicos: vão se acumulando e prejudicando o funcionamento de todos os “órgãos” do Estado.

Falta de transparência: quando o oxigênio não chega às células

No metabolismo humano, sem oxigênio, o corpo entra em colapso. Na gestão pública, a falta de transparência cumpre o mesmo papel.

Sem transparência:

  • a sociedade não consegue fiscalizar,

  • os recursos desaparecem sem justificativa,

  • decisões são tomadas às escondidas,

  • e o ciclo vicioso permanece intocável.

É como se o Tocantins estivesse preso em uma respiração curta, ofegante, incapaz de abastecer sua própria população.

O Estado que não respira: serviços colapsados, população exausta

Hospitais sem estrutura, estradas deterioradas, escolas sucateadas, filas intermináveis. A população sente, na pele, o que é viver em um organismo que já não produz energia suficiente para funcionar.

O cidadão, que deveria ser o “músculo” fortalecido pelo ciclo, recebe apenas fadiga.

Servidores públicos desvalorizados: a perda das mitocôndrias do Estado

Se o Ciclo de Krebs ocorre dentro das mitocôndrias, as usinas de energia do corpo, então os servidores públicos de carreira são as mitocôndrias do Tocantins. São eles que mantêm o Estado vivo, que garantem continuidade, eficiência e técnica.

Mas eles são ignorados.

Em seu lugar, entram contratos temporários que servem como cabos eleitorais. O Estado perde qualidade, perde memória institucional e perde capacidade de produzir energia administrativa.

É como se, a cada eleição, alguém destruísse parte das mitocôndrias e colocasse no lugar estruturas descartáveis e ineficientes.

Sem ruptura, o ciclo nunca muda

Assim como no corpo humano, um ciclo vicioso só é interrompido com intervenção.

No Tocantins, essa intervenção se chama:

  • consciência política,

  • fiscalização ativa,

  • voto responsável,

  • menos vaidade e mais gestão,

  • menos acordos e mais planejamento,

  • menos contratos políticos e mais valorização do servidor de carreira.

O Estado ainda pode respirar.

Ainda pode recuperar sua energia. Ainda pode quebrar esse ciclo deformado que se instalou. Mas para isso, é preciso que o povo, a verdadeira fonte de oxigênio democrático, decida não alimentar mais um sistema que só consome sem devolver nada.

Enquanto o Tocantins repetir o ciclo errado, continuará produzindo o mesmo resultado: cansaço, desperdício e atraso.

Mas, se escolher romper, pode enfim iniciar um novo ciclo, não o da vaidade, mas o do desenvolvimento, da transparência e da vida pública saudável.

@keslon_borges_oficial

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