ALERTA SILENCIOSO

Colesterol alto pode agir em silêncio por anos e aumentar risco de infarto e AVC, alertam especialistas

Resultado do LDL deve ser analisado junto ao histórico clínico e familiar.

Por Redação
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08/08/2026 12h30 - Atualizado há 1 mês
O Dia Nacional de Combate ao Colesterol é celebrado no dia 8 de agosto

Notícias do Tocantins - Duas pessoas podem apresentar exatamente o mesmo nível de LDL no exame de sangue e, ainda assim, precisar de cuidados completamente diferentes. Isso acontece porque o risco cardiovascular não depende apenas de um número no laboratório, nem pode ser identificado pela aparência, pelo peso ou pela existência de uma rotina considerada saudável.

Idade, histórico familiar, diabetes, doenças cardiovasculares, hábitos de vida e até o tempo em que o organismo permanece exposto ao colesterol elevado são fatores que interferem diretamente na avaliação médica.

Neste sábado (08/08), Dia Nacional de Combate ao Colesterol, especialistas da Rede HU Brasil alertam que a prevenção de infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e outras complicações exige uma análise individualizada e acompanhamento adequado, sem recorrer a dietas extremas ou soluções divulgadas nas redes sociais sem comprovação científica.

Um problema que pode avançar sem sintomas

Apesar de frequentemente associado apenas a problemas de saúde, o colesterol é essencial para o organismo. Ele participa da formação das células e da produção de hormônios e vitamina D.

O risco aparece quando determinadas partículas circulam em excesso no sangue.

O LDL, popularmente chamado de “colesterol ruim”, pode favorecer o acúmulo de gordura nas paredes das artérias. Já o HDL, conhecido como “colesterol bom”, auxilia no transporte do colesterol de volta ao fígado. Os triglicerídeos, por sua vez, funcionam como importante fonte e reserva de energia.

O corpo humano precisa de colesterol e triglicerídeos para funcionar, mas o excesso desses lipídios pode prejudicar o coração e aumentar o risco de doenças cardiovasculares e acidente vascular cerebral [AVC]”, explica o cardiologista Clevanildo Brito, do Hospital Universitário Alcides Carneiro.

Quando o LDL permanece elevado durante anos, principalmente associado a outros fatores de risco, pode favorecer o desenvolvimento da aterosclerose, caracterizada pela formação de placas nas artérias.

O problema é que esse processo pode avançar silenciosamente por muito tempo. Em estágios mais avançados, aumenta o risco de infarto, AVC e comprometimento da circulação sanguínea em diferentes partes do corpo.

Meta de colesterol não é igual para todos

É justamente por isso que não existe um único valor de LDL considerado ideal para todas as pessoas.

Quem já sofreu infarto ou AVC, possui diabetes ou apresenta outras condições de maior risco cardiovascular pode precisar manter níveis de LDL muito mais baixos do que uma pessoa sem histórico dessas doenças.

O resultado isolado do exame, portanto, não é suficiente para definir o risco.

Segundo a endocrinologista Giselle Taboada, do Hospital Universitário Antônio Pedro, o histórico familiar também precisa ser observado, principalmente quando parentes próximos sofreram infarto, AVC ou outras doenças cardiovasculares ainda jovens.

Em alguns casos, níveis elevados de colesterol desde cedo podem estar relacionados à hipercolesterolemia familiar, uma condição genética que também pode atingir outros integrantes da família.

Nas dislipidemias genéticas, o risco resulta da exposição acumulada ao colesterol elevado ao longo das décadas, o que exige acompanhamento contínuo e precoce”, explica Giselle.

Alimentação importa, mas não conta toda a história

A comida tem papel importante no controle do colesterol, mas não explica sozinha todos os casos.

Genética, metabolismo, doenças associadas e hábitos de vida também interferem diretamente nos índices registrados nos exames.

Para o nutricionista Pedro Leite, do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), em Araguaína, o padrão alimentar mantido ao longo dos anos pesa mais do que o consumo isolado de determinado alimento.

Dietas com presença frequente de gorduras saturadas, gorduras trans e produtos ultraprocessados podem contribuir para a elevação do LDL.

Já uma alimentação baseada principalmente em alimentos in natura ou minimamente processados, rica em fibras e com fontes adequadas de gorduras insaturadas, pode ajudar na proteção cardiovascular.

Pedro alerta, porém, que o cuidado não deve ser baseado apenas em listas rígidas de alimentos que podem ou não ser consumidos. “A lógica de permitidos e proibidos pode gerar culpa, restrição excessiva e baixa adesão. O cuidado deve considerar equilíbrio, contexto, autonomia e a realidade de cada pessoa”, explica.

Especialistas alertam contra “fórmulas mágicas”

Outro problema crescente está nas redes sociais. Conteúdos que minimizam os riscos do colesterol elevado ou prometem substituir tratamentos médicos por suplementos, dietas restritivas e receitas caseiras têm ganhado espaço na internet.

Uma das informações falsas mais recorrentes, segundo especialistas, é a ideia de que medicamentos utilizados no controle do colesterol fariam necessariamente mais mal do que bem.

A endocrinologista Márcia Helena Costa, do Hospital Universitário dos Servidores do Estado, destaca que as estatinas estão entre os medicamentos mais estudados da medicina e são utilizadas, quando existe indicação clínica, para diminuir o colesterol e reduzir o risco de eventos cardiovasculares.

As estatinas estão entre os medicamentos mais estudados da medicina e possuem evidências de redução do risco de infarto e AVC. Os efeitos colaterais precisam ser acompanhados, mas interromper o tratamento sem orientação pode aumentar o risco cardiovascular”, afirma.

Especialistas também alertam para promessas de suplementos ou produtos naturais capazes de “zerar” o colesterol.

Hábitos saudáveis e alimentação adequada fazem parte do tratamento, mas não substituem medicamentos quando existe indicação médica.

Além disso, dietas extremamente restritivas podem causar deficiências nutricionais e, dependendo do caso, até piorar o perfil de gorduras no sangue. Suplementos também podem interferir no efeito de medicamentos e oferecer riscos quando utilizados sem acompanhamento profissional.

Como o colesterol elevado e a aterosclerose podem evoluir durante anos sem apresentar sintomas, abandonar um tratamento ou apostar exclusivamente em soluções sem comprovação pode atrasar o diagnóstico e aumentar o risco de complicações graves.

Antes de suspender, trocar ou associar qualquer suplemento à terapia prescrita, é fundamental conversar com o médico”, orienta Márcia Helena Costa.

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