Empreendedorismo feminino

Negócio de doces que nasceu na pandemia conquista mercado com sabores do Cerrado tocantinense

Irmãs Samira e Samara de Oliveira começaram com um pequeno delivery em Almas.

Por Redação
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03/10/2026 08h32 - Atualizado há 3 dias
Negócio criado durante o isolamento social cresceu com capacitação e contratos empresariais

Notícias do Tocantins - O que começou como uma alternativa ao tédio do isolamento social durante a pandemia de 2020 transformou-se em uma história de empreendedorismo no interior do Tocantins. As irmãs Samira e Samara Valadares, nascidas e criadas em Almas, a 300 km de Palmas, saíram de um modesto delivery de doces caseiros para fechar contratos corporativos e levar os sabores típicos do Cerrado a uma das maiores feiras do segmento da mineração, em Belo Horizonte (MG).

A ideia nasceu quando a rotina intensa de estudos foi interrompida pela crise sanitária. Para proteger a avó do contágio do vírus, a família mudou-se para a chácara mantida pelos parentes na zona rural da cidade. Foi ali que Samira e Samara começaram a vender brigadeiros e “copos da felicidade”, preparados com doces de diversos sabores e pedaços de bolo, por meio de entregas, como forma de movimentar os dias parados.

Com a demanda em crescimento, veio a coragem para dar o primeiro grande passo: a abertura de uma lanchonete física na cidade, viabilizada por um empréstimo bancário e pelo apoio dos pais, que cederam o espaço onde antes funcionava a papelaria da família.

O salto impulsionado pelo setor mineral

A chegada do setor mineral à região ampliou o fluxo de trabalhadores e abriu novas oportunidades para pequenos negócios de Almas. Samira e Samara passaram a expandir o cardápio e a atender reuniões e empresas com serviços de coffee break.

Em 2024, porém, uma forte queda nas vendas colocou o negócio em risco. Foi nesse período que as irmãs passaram a participar de programas de capacitação promovidos pela Aura, em parceria com entidades de apoio ao empreendedorismo, como o Sebrae. Os treinamentos ajudaram a reorganizar processos, aprimorar o padrão de entrega e preparar a empresa para atender clientes corporativos.

“A gente sempre gostou de participar de tudo e aprender. As críticas e os treinamentos nos ajudaram a evoluir o padrão de entrega”, relata Samara.

Com a profissionalização, vieram contratos diretos para o fornecimento de lanches e a necessidade de ampliar a estrutura de produção, consolidando uma nova etapa do negócio.

A experiência das irmãs está inserida em uma frente mais ampla da cultura Aura 360, que inclui o desenvolvimento e a qualificação de fornecedores nos territórios onde a companhia atua. Em 2025, a Aura destinou US$ 174,7 milhões a compras locais nas Américas, o equivalente a 43% de seus gastos com suprimentos, e capacitou 150 empreendedores no Brasil.

Em Almas, um dos programas inclui um ciclo de nove meses voltado a micro e pequenas empresas da região, com 15% das vagas reservadas a negócios liderados por mulheres. Ao final, os participantes qualificados podem integrar o cadastro de potenciais fornecedores da companhia.

“Nosso objetivo é ampliar a capacidade dos negócios locais de crescer com mais estrutura e competitividade, independentemente de atenderem diretamente à Aura. Quando esses empreendedores evoluem, a própria comunidade se fortalece”, destaca Isabela Dumont, diretora de Pessoas, ESG e Comunicação da Aura.

Sabores do Cerrado abrem novas portas

Amparadas pelo aprendizado corporativo, Samira e Samara deram um passo além e apostaram na valorização das matérias-primas locais. Elas passaram a incorporar frutas nativas do Tocantins, como buriti, mangaba e caju, na produção de seus doces.

A aposta no resgate da identidade gastronômica do Cerrado abriu portas além das fronteiras estaduais. Recentemente, as empresárias embarcaram para Belo Horizonte (MG) para apresentar seus produtos na Exposibram, evento de alcance nacional voltado ao setor de mineração, onde participaram de degustações e trocas culturais.

“Muitas pessoas fora do Tocantins ainda não conhecem a riqueza das nossas frutas. Trazer o sabor do buriti e da mangaba para outros públicos é uma forma de apresentar o nosso Estado através da gastronomia”, destaca Samira.

Chamadas carinhosamente de “doidas” por moradores no início da empreitada, as irmãs agora planejam uma nova etapa de expansão. Elas adquiriram um lote em Almas onde pretendem construir a sede própria da empresa e ampliar a produção, mantendo os sabores regionais como parte central da identidade da marca.

Sobre a Aura

A Aura é uma empresa focada no desenvolvimento e na operação de projetos de ouro e metais básicos nas Américas. A companhia possui seis minas em operação, incluindo a mina de ouro Minosa, em Honduras; as minas de ouro Apoena, Almas, Borborema e Mineração Serra Grande, no Brasil; e a mina de cobre, ouro e prata Aranzazu, no México.

Além disso, a companhia possui Era Dorada, projeto de ouro na Guatemala, e dois projetos no Brasil: Matupá, em desenvolvimento, e o projeto de cobre Carajás, em fase de exploração.

Empreendedoras de Almas levam buriti, mangaba e caju do Cerrado para feira nacional

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