Educação

Opinião | Ser professor ainda faz sentido? Reflexões sobre o trabalho docente no Brasil

No dia 06 de agosto é comemorado o Dia Nacional dos Profissionais da Educação

Por Colaboração do leitor
Comentários (0)

06/08/2026 15h20 - Atualizado há 1 semana
No dia 06 de agosto é comemorado o Dia Nacional dos Profissionais da Educação.

* Augusto César Ferreira Barbosa, professor de História na rede estadual de Educação, Mestre em Ensino de História (UFT), Historiador (UFT) e  Pedagogo (UNIBF)

Começo esse texto com uma charge do século dezenove, do semanário cômico Revista Ilustrada (1876-1898) de autoria do italiano naturalizado no Brasil Ângelo Agostini (1843-1910). Na edição datada de 26 de maio de 1877.

No quadro escolhido é possível ler em letras garrafais a seguinte mensagem: “O Governo entende que não há necessidade de professores; basta que os meninos olhem para os palacetes – escolas para ficarem perfeitamente instruídos”. 

O caráter jocoso encontrado na pena e no traço do artista ao retratar o episódio dentro do contexto dos oitocentos é, em resumo, um elemento que, na atualidade, ressoa como um problema de caráter contemporâneo: o acesso à educação formal que é ofertada pelo Estado Brasileiro. Ser professor no Brasil ainda faz sentido?

No dia 06 de agosto é comemorado o Dia Nacional dos Profissionais da Educação. A data foi promulgada como forma de lembrar o desafio diário que educadores – do pré-escolar ao ensino superior – e que representa todo o cosmos que habitam nas escolas: professores, diretores, merendeiras, porteiros e faxineiros. Todos eles são essenciais para o ensino de qualidade e para uma boa convivência no ambiente de ensino. Contudo, os dados demostram que a realidade é, por vezes, bastante cruel para com a classe. 

Segundo os dados Fórum Nacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas (FONEC), publicado em 2025, Entre os anos de 2000 e 2024, 163.854 escolas foram extintas em todo o país, sendo 110.758 localizadas em territórios rurais e 53.096 em territórios urbanos. Ao mesmo tempo, em que haverá um eminente “apagão dos professores” até o ano de 2040, visto que, de acordo com o levantamento realizado pelo Instituto Semesp, o déficit de aproximadamente mais de 240 mil professores na educação básica.

O fato é que o cenário atual não é muito animador para os recém licenciados: baixos salários, carga de trabalho alta, a falta de condições na infraestrutura escolar, violência psicológica e física por parte dos estudantes – vide os casos recentes noticiados e os milhares silenciados pelas Regionais de Ensino desse país – e soma-se a isso o crescente desinteresse de estudantes do Ensino Médio em ingressarem na profissão, evidenciando a urgência de repensar a escola e o lugar da educação em nosso meio.  

E a mudança não parte apenas dos entes envolvidos, mas da sociedade civil organizada na promoção de políticas públicas pelo poder público, valorização da carreia docente, melhores condições de trabalho e planos de educação que projetem uma formação baseada nos princípios humanísticos, éticos, comunitários, democráticos que este milênio exige de cada um de nós.

Se esta data nos convida a homenagear aqueles que diariamente estão na linha de frente da educação, ela também deve servir como um momento de reflexão. Afinal, a verdadeira batalha travada pelos professores não é contra seus estudantes, mas contra o analfabetismo, a ignorância, a desigualdade e todas as formas de exclusão que limitam o acesso ao conhecimento. Valorizar os profissionais da educação é, antes de tudo, reconhecer que não há futuro possível sem uma educação de qualidade para todos.

Comentários (0)

Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

(63) 3415-2769
Copyright © 2011 - 2026 AF. Todos os direitos reservados.