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Opinião | Teoria das janelas quebradas e a normalização da corrupção na política

Na política brasileira, a corrupção raramente começa em grandes escândalos.

Por Colaboração do leitor
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16/12/2025 11h09 - Atualizado há 4 meses
Keslon Borges é economista e especialista em Gestão Pública.

Keslon Borges | Economista e Especialista em Gestão Pública

A Teoria das Janelas Quebradas, formulada por James Q. Wilson e George Kelling, parte de uma ideia simples e poderosa: quando pequenos sinais de desordem não são corrigidos, eles comunicam à sociedade que ninguém se importa. Uma janela quebrada que não é consertada rapidamente tende a atrair vandalismo, criminalidade e degradação progressiva do ambiente. A desordem tolerada se transforma em regra.

Quando transportamos essa teoria para o campo político, especialmente no comportamento do eleitor, o paralelo é inevitável e alarmante. Na política brasileira, e em muitos contextos locais, como no Tocantins, a corrupção raramente começa em grandes escândalos. Ela nasce em pequenas concessões morais: um favor aqui, um “jeitinho” ali, um político “rouba, mas faz”, uma aliança espúria justificada pelo pragmatismo eleitoral. Cada uma dessas atitudes funciona como uma janela quebrada que o eleitor escolhe não consertar.

Quando o eleitor aceita votar em um político que já foi flagrado em irregularidades, ou que se associa claramente a outros agentes corruptos, ele envia uma mensagem clara ao sistema: esse comportamento é tolerável. A partir daí, a degradação se acelera. Outros políticos percebem que não há punição eleitoral real e passam a agir da mesma forma. O ambiente político entra em colapso moral.

A associação entre corruptos é outro elemento central dessa metáfora. Políticos raramente atuam sozinhos. Eles formam redes, alianças e grupos que se protegem mutuamente. Quando o eleitor fecha os olhos para essas associações, ele legitima não apenas o indivíduo, mas todo o ecossistema de corrupção ao seu redor.

Com o tempo, a população passa a naturalizar esse cenário. A indignação diminui, a tolerância aumenta e a corrupção deixa de causar espanto. Surge uma anestesia moral coletiva. O erro deixa de ser exceção e passa a ser regra.

Essa tolerância tem efeitos diretos na qualidade dos serviços públicos, na eficiência do Estado e na vida cotidiana das pessoas. Recursos são desviados, decisões são tomadas com base em interesses pessoais e a população paga a conta com serviços precários, impostos elevados e falta de oportunidades.

A Teoria das Janelas Quebradas ensina que a reconstrução começa pelo básico. No campo político, isso significa não tolerar o primeiro erro, não relativizar irregularidades e não aceitar alianças suspeitas. O voto é a ferramenta mais poderosa de correção institucional.

Enquanto o eleitor aceitar políticos que se associam a corruptos, o sistema continuará sinalizando que a desordem é permitida. A qualidade da política reflete o nível de tolerância da sociedade. Onde a corrupção encontra complacência, ela se instala. Onde encontra rejeição firme, ela recua.

Assim como na teoria original, a diferença entre um ambiente degradado e um espaço saudável começa com a decisão de não ignorar a primeira janela quebrada.

@keslon_borges_oficial

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