ARTIGO

Que mulheres queremos parabenizar? O peso do etarismo na luta feminina: a juventude como moeda de valor

Outro fator que amplifica o peso do etarismo é a dinâmica dos relacionamentos amorosos, segundo a autora.

Por Glaucia Peixoto | Mestra em Literatura
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07/03/2025 11h34 - Atualizado há 1 ano
Mikey Madison levou o prêmio de Melhor Atriz

Glaucia Peixoto | Artigo

Na última cerimônia do Oscar, um evento que tradicionalmente celebra o talento e a excelência do cinema, um episódio emblemático reacendeu o debate sobre etarismo e a luta feminina no mercado de trabalho, especialmente na indústria do entretenimento.

A renomada atriz Demi Moore, aos 62 anos, era uma das favoritas ao prêmio de Melhor Atriz por sua impactante interpretação de uma mulher confrontando a busca pela juventude eterna. No entanto, quem levou a estatueta foi Mikey Madison, de 25 anos, que interpretou uma prostituta jovem e sedutora, um papel que dialoga diretamente com os padrões de desejo masculino perpetuados por Hollywood.

A busca pela juventude se impõe não só no cinema, mas na sociedade como um todo, cobrando um alto preço emocional e físico das mulheres que sentem a necessidade constante de provar seu valor em ambientes que as descartam ao primeiro sinal de envelhecimento. 

O etarismo é certamente um dos maiores vilões da mulher na sociedade atual. Nesse 8 de Março, fica a pergunta: que mulheres nós queremos parabenizar? Que rostos e corpos nós queremos ver representando nossas marcas e produtos ou dirigindo negócios? Quantos anos uma mulher precisa ter para ser isto ou aquilo?

Os Desafios da Mulher na Atualidade: Do divórcio ao reencontro de si mesma 

Se, por um lado, a mulher conquistou direitos que antes lhe eram negados, por outro, ainda enfrenta desafios constantes.  Além disso, a quebra dos padrões tradicionalmente atribuídos à mulher impõe novos dilemas, como a busca por independência financeira e afetiva, que muitas vezes resulta em uma jornada solitária, uma vez que muitos homens não aceitam rever papéis e ainda associam afeto ao ato de servir e de submeter-se, o que impõe à mulher uma renegação pessoal em prol da família ou do relacionamento. 

Embora muitas aceitem, inicialmente, esse acordo como natural, os divórcios por iniciativa da mulher são crescentes e superam em muito a separação a pedido do marido, conforme dados do último levantamento do IBGE sobre o assunto.

Nessa busca por encontrar a si mesma e livrar-se de velhas amarras, muitas mulheres redescobrem o próprio valor, investem na carreira, superam traumas pessoais e percebem que a vida não só continua, mas como ainda pode melhorar depois da separação.

Relacionamentos após os 40: um novo capítulo sob o peso da idade

Outro fator que amplifica o peso do etarismo é a dinâmica dos relacionamentos amorosos. Enquanto homens mais velhos são constantemente associados a parceiras mais jovens – uma narrativa amplamente reforçada pela cultura popular machista –, mulheres acima dos 40 muitas vezes enfrentam dificuldades para serem vistas como desejáveis. 

Contudo, as mulheres são sobretudo sinônimo de resistência e, por isso, cada vez mais, elas ocupam espaços e remoldam padrões e cada vez menos, associam a própria satisfação a um relacionamento amoroso porque, antes de tudo, elas aprenderam o valor do amor próprio.

A luta por equidade continua, impulsionada por mulheres que se recusam a ser apagadas pelo tempo e exigem reconhecimento pelo que realmente importa: seu talento, inteligência e experiência. O etarismo, embora enraizado, pode ser desconstruído – mas para isso, é preciso questionar as narrativas e desafiar os padrões estabelecidos em uma busca de visibilidade para todas em qualquer idade.

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Gláucia Peixoto é graduada em Letras e mestra em Literatura pela UFNT. É professora efetiva da rede estadual de ensino do Tocantins. 

Siga a autora nas redes sociais: https://www.instagram.com/glauciappedrosa/

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