Restauração do Araguaia

Sementes nativas do Tocantins abastecem um dos maiores projetos de restauração do mundo

Projeto reúne agricultores familiares, ribeirinhos, assentados e indígenas.

Por Redação
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12/11/2025 09h18 - Atualizado há 9 meses
Educação ambiental envolve novas gerações na preservação

Notícias do Tocantins –  Mais de 70 coletores de sementes nativas participaram, nos dias 8 e 9 de novembro, do 2º Encontro Ressemear (Rede de Sementes do Araguaia), realizado no Parque Estadual do Cantão, em Caseara (TO). O evento discutiu formas de formalizar e fortalecer a cadeia da restauração ecológica em larga escala na região, reunindo agricultores familiares, ribeirinhos e povos indígenas.

A iniciativa é do Instituto Black Jaguar, que capacita e remunera coletores de sementes nativas do Cerrado e da Amazônia para produção de mudas florestais, contribuindo para o reflorestamento e a conservação da biodiversidade.

“Conseguimos reunir e dar voz a representantes de diversos grupos de coleta da região, podendo, inclusive, levar as demandas desse território para a COP30. Além disso, avançamos no debate sobre rastreabilidade das sementes e os caminhos para a formalização da rede por meio do associativismo e do cooperativismo, que são essenciais para o futuro da iniciativa”, destacou Laís D’Isep, articuladora de comunidades do Instituto Black Jaguar, que representará o projeto na conferência climática.

Rede de Sementes do Araguaia

A Ressemear conta com mais de 115 coletores — 69% deles mulheres — organizados em sete grupos de coleta que envolvem cerca de 60 famílias de Caseara e Marianópolis (TO) e de Santana do Araguaia (PA).

Juntos, eles já comercializaram mais de sete toneladas de sementes de 60 espécies nativas, movimentando cerca de R$ 340 mil e fortalecendo a economia local e o protagonismo comunitário.

Entre os participantes estão agricultores familiares, ribeirinhos, assentados e indígenas da etnia Kayapó, que recentemente se integraram à rede. A Associação de Mulheres Extrativistas da APA Cantão (AMA Cantão) também participa, encontrando na atividade uma nova fonte de renda: sementes antes descartadas da produção de geleias e doces agora são vendidas para projetos de restauração.

Os coletores recebem treinamento especializado, equipamentos de proteção individual (EPIs) e identificação oficial, garantindo segurança e reconhecimento durante as coletas.

As sementes abastecem o Instituto Black Jaguar, responsável por um dos maiores corredores de restauração ecológica do mundo, e também apoiam outras iniciativas parceiras. Todo o processo segue princípios de comércio justo, diversidade genética e participação social, promovendo impactos socioambientais positivos e sustentáveis.

“Além de todo o aprendizado, o encontro demonstrou maior união da comunidade, com a participação das mulheres extrativistas de Caseara, que forneceram o lanche, e dos povos originários, que estão se envolvendo cada vez mais para atender à demanda por sementes e promover a restauração ecológica no Brasil”, ressaltou Lidejane Lopes de Oliveira, coletora do grupo urbano de Caseara.

Apoio e formação

O 2º Encontro da Ressemear teve o apoio da Rede de Sementes Portal da Amazônia e da Rede de Sementes do Xingu. A programação incluiu atividades de educação ambiental e gincanas para crianças e adolescentes, incentivando as novas gerações a conhecer e valorizar a biodiversidade local.

O projeto conta com o apoio do Fundo Ecos/ISPN, e recursos do BNDES e da Suzano, e integra o Redário, rede nacional de coletores de sementes liderada pelo Instituto Socioambiental (ISA), que articula experiências comunitárias em prol da restauração ecológica e da geração de renda em diferentes regiões do país.

Sobre o Instituto Black Jaguar

Fundado em 2010, o Instituto Black Jaguar (BJF) é uma organização sem fins lucrativos com sede em Amsterdã (Holanda) e unidades em São Paulo (SP) e Santana do Araguaia (PA).
A entidade atua na recuperação do Corredor de Biodiversidade do Araguaia, que conecta a Amazônia ao Cerrado, por meio de reflorestamento, restauração da biodiversidade e engajamento comunitário.

O trabalho segue um método próprio de 17 etapas, estruturadas em quatro pilares: Comunidade, Ciência, Plantio e Cuidado. A meta é restaurar mais de 1 milhão de hectares em 20 anos.

Iniciativa integra ribeirinhos, agricultores e povos indígenas

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