Projeto da UFNT

Turismo comunitário vira alternativa de renda para atingidos por barragem em Babaçulândia

Proposta combina capacitação técnica, ordenamento territorial e resgate cultural.

Por Redação
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13/02/2026 14h50 - Atualizado há 2 semanas
O projeto mobiliza cinco cursos do campus da UFNT em Araguaína

Notícias do Tocantins - A Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) iniciou a execução de um projeto que aposta no turismo de base comunitária como estratégia de desenvolvimento e reconstrução social em Babaçulândia.

A iniciativa, que será executada ao longo de 2026, é voltada às populações impactadas pela construção da barragem de Estreito, no Maranhão, e propõe transformar território, memória e cultura em oportunidade de renda e fortalecimento coletivo.

A proposta vai além do incentivo ao turismo convencional. O foco é estruturar um modelo sustentável, ancorado no protagonismo das próprias comunidades atingidas pelo empreendimento hidrelétrico. Ao todo, 60 jovens e adultos — integrantes de famílias de pescadores, barqueiros e vazanteiros — serão capacitados para atuar na organização de roteiros turísticos, gestão territorial e valorização do patrimônio cultural local.

Coordenado pelo professor Miguel Pacífico Filho, do curso de Geografia e do Programa de Pós-graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais (PPGDire), o projeto é financiado pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). Segundo o docente, o diferencial da ação está na centralidade das comunidades no processo.

“O protagonismo da ação é referenciado por residentes da comunidade. São 60 discentes capacitados, todos de famílias impactadas pela construção da barragem”, afirma.

Turismo como instrumento de reconstrução

A proposta combina capacitação técnica, ordenamento territorial e resgate cultural. A intenção é estruturar roteiros que valorizem paisagens, práticas tradicionais e os chamados “saberes e fazeres” locais, criando alternativas econômicas sustentáveis frente aos impactos de grandes projetos de desenvolvimento na região amazônica.

De acordo com o coordenador, os efeitos esperados ultrapassam a dimensão econômica. “A ação contribui para o aprimoramento de metodologias de práticas sociais de origem popular e para a formulação de políticas públicas que tenham como centralidade as proposições construídas por populações frequentemente invisibilizadas nos grandes projetos de desenvolvimento”, destaca.

Universidade e comunidade em articulação permanente

O projeto mobiliza cinco cursos do campus de Araguaína — o mestrado do PPGDire e as graduações em Geografia, Letras e Logística — consolidando a integração entre ensino, pesquisa e extensão. Também estão previstas quatro bolsas de iniciação científica para estudantes da UFNT, ampliando o alcance acadêmico da iniciativa.

A parceria com Babaçulândia não é recente. A nova ação é desdobramento de um vínculo institucional construído ao longo dos anos, que inclui projetos anteriores, como o “Cadeias Produtivas dos Povos das Águas e das Florestas”, financiado pela Iniciativa Amazônia + 10.

Para a universidade, o apoio da SUDAM reforça a capacidade de captação de recursos externos e consolida a atuação da UFNT como agente estratégico no fortalecimento social e econômico das comunidades amazônicas.

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