Sobral – 300×100
Seet

Câmara da Capital do Tocantins tem 566 funcionários, mas apenas 110 são encontrados trabalhando

Agnaldo Araujo - |
Foto: Divulgação
Câmara Municipal de Palmas

Dos 566 funcionários da Câmara Municipal de Palmas, somente 110 foram encontrados trabalhando em horário de expediente. As Casas de Leis da Capital do Tocantins foi tema de reportagem do Jornal Nacional, na última sexta-feira (16/09). Outra situação que chama a atenção é o fato de que são apenas 31 concursados.

A reportagem é de Roberto Kovalick. “É cedo! O povo, em Palmas, capital do Tocantins, já está a caminho do trabalho. Menos na Câmara do município”, diz o jornalista.

“São 9h12. Nenhum vereador”, diz Ana Izabel Friedlander, do Observatório Social. Posteriormente, um pequeno grupo de vereadores apareceu para trabalhar, mas não havia quórum para abrir a sessão.

“E eu venho acompanhando essas sessões desde o dia 3 de março quando ela foi bloqueada, e está fechada. Toda vez é assim”, diz o líder comunitário Evandro Pereira da Silva.

O motivo é uma briga entre oposição e a situação para comandar as comissões da Câmara. Um grupo que fiscaliza o trabalho dos vereadores reclama.

“Porque quem perde com isso é o cidadão, que é uma casa de leis que tem que legislar, tem que fazer a fiscalização do Executivo, tem que discutir projetos para a sociedade”, critica Aline Rigoni, do Observatório Social.

A Câmara de Palmas ficou 173 dias sem quórum. Quase meio ano. Só voltou a funcionar no dia 23 de agosto, e não é o único problema.

A Câmara de Palmas tem 566 funcionários. Às 11h30, horário de expediente, o repórter contou 110 funcionários trabalhando.

O diretor da Câmara diz que os funcionários ausentes trabalham para os vereadores fora da Câmara. Dentro, seria complicado.

“E caberiam os 566 aqui neste prédio? Talvez não caberia, mesmo porque eles já sabem que não viriam todos aqui ao mesmo tempo, dada a necessidade e a finalidade para a qual eles foram contratados”, explica o diretor-geral da Câmara, Aurélio Lopes Brito.

“Então você tem muitos cargos políticos, que servem apenas a interesses do vereador, do prefeito, e não o funcionário de carreira que está ali implementado em fazer a política pública da melhor forma possível, voltada para o interesse público, para o interesse do cidadão”, explica Manoel Galdino, diretor da Transparência Brasil.

Muito dinheiro e pouco serviço

As Câmaras de Vereadores têm direito a até 7% do orçamento dos municípios. Em 2015, isso deu quase R$ 15 bilhões. O salário pode chegar a 75% do que ganham os deputados estaduais. No máximo, R$ 21 mil. O resto, cada Câmara gasta de um jeito.

Em São Paulo, os vereadores recebem R$ 260 mil por ano para gastos como correio, material de escritório, e podem contratar 17 auxiliares. Em Teresina, o número de assessores sobe para 25. No Rio De Janeiro, podem comprar quatro mil selos por mês. Em Recife, podem gastar R$ 2.300 por mês para abastecer até seis carros por gabinete.

Apesar de custarem muito e nem sempre funcionarem como deveriam, as Câmaras têm a missão de melhorar a vida nas cidades. Os vereadores são os políticos mais próximos do eleitor, aquele que o eleitor deveria procurar para resolver os problemas de sua rua, seu bairro.

Comentários pelo Facebook: