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Familiares de pessoas desaparecidas no Tocantins criticam descaso e cobram investigação

Agnaldo Araujo - |
Fotos: Divulgação
Parentes de pessoas desaparecidas cobram informações

Um relatório contendo reclamações feitas por familiares de pessoas desaparecidas no Tocantins e sugestões apresentadas por deputados e autoridades será encaminhado para a Secretaria de Segurança Pública do Estado. O anúncio foi feito pela presidente da comissão temática, deputada Luana Ribeiro (PR), ao fim da audiência pública realizada na Assembleia Legislativa durante a tarde de quinta-feira (04), em resposta às cobranças por resultados. “Os trabalhos terão sequência”, garantiu a parlamentar.

Isso porque a reunião começou com relatos de parentes de pessoas desaparecidas em que reivindicavam a assistência das autoridades. Autor do requerimento da audiência, o deputado Stalin Bucar (PPS) propôs a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para convocar delegados de polícia e dar uma resposta à sociedade.

A proposta não foi unânime entre os parlamentares. Para o deputado Elenil da Penha (PMDB), não seria o caso de uma CPI, mas o de ouvir delegados e convidar o secretário estadual de Segurança Pública por meio da comissão. A deputada Valderez Castelo Branco (PP), por sua vez, sugeriu a criação de um comitê com a participação de outros órgãos e entidades da sociedade civil.

Em resposta à crítica realizada por Elenil da Penha de que a Casa de Leis nada teria feito a respeito do assunto, Luana Ribeiro disse ter apresentado um projeto de lei que obrigaria sites de órgãos públicos a expor fotos de desaparecidos.

A deputada afirmou ainda que o parlamentar Valdemar Júnior (PMDB) tentou o mesmo procedimento com as contas de água e luz, mas que ambos os projetos não obtiveram êxito na tramitação.

Depoimentos

Mães e familiares relataram histórias de dor e sofrimento na busca pelos entes desaparecidos. A professora Zulmira Gonçalves sofre  há 29 anos e cinco meses, a dor de não saber notícias do filho Sérgio Leonardo,  sequestrado em Porto Nacional/TO, com oito meses de vida. “Qualquer um que está aqui sentado pode passar por essa dor. É uma dor, é um luto inacabado e que não gostaria que ninguém passasse“, destacou.

Zulmira disse que o tráfico humano em quatro modalidades – para adoção, retirada de órgãos, prostituição ou trabalho escravo -, varia por período. “Sinto um luto inacabado por parte da Justiça, pelo descaso. O meu processo foi arquivado em 2007, lutei, estive na CPI de tráfico de pessoas, foi reaberto (em 2014), mas até agora está da mesma forma”, desabafou.

A avó de Laura Vitória Oliveira, 9 anos, desaparecida há mais de um ano em Palmas, dona Gilsandra Pereira de Oliveira pediu ajuda para encontrar Laura e parar o sofrimento da perda da neta a quem ele cuidava como filha. “Gente, me ajuda! Estou morrendo aos poucos por conta da minha filha”, disse.

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